Pamela e Gael: Muito melhor que o planejado

parto normal belo horizonte

Gael nasceu no dia 14 de Fevereiro de 2023 às 00:43.

Muitos me perguntaram: O seu parto foi como você havia planejado? E eu digo, não, não foi. Foi melhor. Gael nasceu de um parto lindo e muito rápido…

Na sexta-feira 13, acordei com contrações que doíam como cólicas. Elas duravam alguns segundos e estavam um pouco mais ritmadas que as rotineiras contrações de treinamento.
Fiquei feliz e ansiosa com a possível chegada do Gael.

Mas o que eu sentia eram apenas contrações de pródromos (curtas, não dolorosas, sem evolução de dilatação), como bem me explicou Lili, minha enfermeira obstétrica. Constatamos isso, pois havia me orientado a tomar um buscoduo ou um banho quente para ver se as contrações cessavam. Como não tinha o buscoduo em casa, optei pelo banho relaxante e como previsto, as contrações se foram.

Segui, então, minha rotina normalmente, trabalhei até a hora do almoço. Porém lá para meio dia, minhas contrações voltaram, dessa vez pedi ao Lucas que fosse comprar o buscoduo, já que era uma boa pedida tê-lo à mão.
Por volta das 13 horas, tomei o remédio e me encaminhei para o Instituto Villamil, uma vez que já tinha duas consultas marcadas naquele dia. A primeira às 14:00 com a fisio pélvica (Dra. Ana Detomi) e a segunda às 17:00 com a obstetra (Dra Luciana).

Havia combinado com o Lucas que eu iria de Uber, mas às 16:00 ele iria ao instituto para que fizéssemos juntos a consulta com a Dra. Luciana.
Conforme combinado, me dirigi às minhas consultas, porém o buscoduo não surtiu efeito, e as contrações seguiram acontecendo. Eram contrações muito leves, que permitiam realizar toda e qualquer atividade, tanto que fui batendo o maior papo com o motorista do Uber, que sequer percebeu que eu estava tendo contrações.
Ao chegar ao consultório da minha fisio, fizemos todos os exames já contando as contrações que vinham de 10 em 10 minutos e duravam 15 segundos. Ao final da consulta, pedi a minha médica que antecipasse a minha consulta e liguei para que Lucas fosse me buscar.

A Dra. Luciana me examinou. Gael já estava bem baixo, e eu estava com 1cm de dilatação. Conversamos sobre como tudo poderia evoluir, era um estágio muito inicial e o trabalho de parto poderia nem engrenar ainda naquele dia. Mas meus instintos diziam que ele nasceria sim naquele final de semana.
Lucas chegou pouco depois do fim da consulta, e fomos para casa. Porém, já na saída do prédio, tive minha primeira contração forte, que me fez parar de caminhar até que ela passasse. Coração de mãe, não erra. Gael já dava indícios de que ele ia chegar sim, e pelo jeito, em breve.
Como as contrações ainda eram sem ritmo, e pouco dolorosas. Decidimos que antes de ir para casa, iríamos lanchar na rua e abastecer o carro. E assim, foi nosso último passeio sozinhos juntos.
Chegamos em casa por volta das 18:30, e fui descansar como orientado pela minha equipe que já estava me acompanhando pelo WhatsApp.
Consegui cochilar, entre uma contração e outra, até umas 20 horas. Entretanto, as contrações foram ficando cada vez mais fortes e já não conseguia ficar deitada. Fui para o sofá, assistir TV e esperar as contrações ficarem ritmadas de 5 em 5 minutos. O tempo passava e minhas contrações vinham entre 6 e 7 minutos, iam ficando mais fortes mas não ritmadas.
Lá pelas 22 horas, segui novamente a orientação da Lili e fui tomar um banho bem quentinho para ver se as contrações engrenavam. A ideia era ficar 30 minutos debaixo d’água, no entanto após 10 minutos de água quente batendo nas costas, precisei sair do banho, pois as contrações ritmaram intensamente, eu já estava tendo 3 a cada 10 minutos.
Nessa hora a dor realmente apertou, e pedi a minha doula, Kessiane, que viessem então até nossa casa.
A cada contração a dor aumentava, e eu já não conseguia mais me comunicar direito, apenas sentir e vocalizar a dor que eu sentia quando a contração chegava. Eu estava embarcando para a partolândia
Montei um ninho de almofadas no chão para mim. Foi a maneira mais confortável de aguardar a equipe chegar em casa. E lá me encontraram, no meio de uma contração vocalizando toda a minha dor.
Lili pediu para me avaliar e no momento que ia deitar na cama, terminei de perder meu tampão mucoso. Eu já estava com 7cm de dilatação, e então sabíamos que era hora de ir pro hospital.
Lembro que demorei 3 contrações para chegar ao carro.

Já no carro, Lucas colocou o endereço no waze, e o caminho dava 22 minutos de distância. Já eram os primeiros minutos do sábado, dia 14.
Na metade do caminho, minha bolsa estourou e comecei a sentir uma pressão no períneo. Nesse momento, Kessiane disse para me tocar e dizer se eu conseguia sentir a cabeça do Gael. E eu conseguia. Então tive medo, olhei pro mapa no painel do carro, ainda faltavam 13 minutos, não queria que ele nascesse no carro, e me lembro de dizer pro Lucas acelerar e que depois resolveríamos as possíveis multas. Palavras desnecessárias, no momento que a bolsa estourou ele já estava acelerando a todo vapor. Fizemos em 5 um trajeto de 13 minutos.
Não tivemos tempo de estacionar o carro, o pessoal já estava me aguardando com uma cadeira de rodas e fomos direto para o quarto, suite PPP, que ainda estava sendo montada.

Quando cheguei no quarto estava completamente imersa na partolândia, não enxergava, nem ouvia mais nada. Apenas consegui ver que a Dra. Luciana estava lá, e me senti tranquila de novo.
Caminhei até um sofá, no qual me apoiei e tive mais duas contrações. Nesse momento senti que Gael estava começando a coroar, e de fato estava, pois nem tiveram tempo de encher a banheira porque meu bebê queria nascer. Então a equipe pegou o banquinho de parto, nos posicionamos, e poucos minutos depois, em uma única contração Gael, meu lindo príncipe, veio ao mundo, direto para os meus olhos e para os meus braços.

Tive um parto lindo, rápido, sem laceração. Entendi, finalmente, o que era entrega, amor e dedicação.

Todos me disseram que foi um parto perfeito. Que eu havia nascido para isso. Mas acho que na verdade me preparei muitos anos para esse momento, por isso agradeço imensamente ao time que me assistiu e me deu toda segurança e apoio que eu precisava. Obrigada Lili, Kessiane e Dra Luciana.
Mas agradeço especialmente também a Dra. Quesia, que me acompanhou durante toda a gestação, mas não pode acompanhar presencialmente meu parto, mas como já havia lhe dito, ela sempre esteve lá. Esteve desde o primeiro dia que nos conhecemos a quase 15 anos atrás, quando fiz o primeiro site dela, e achei incrível tudo que li sobre parto humanizado. Pude, durante todos esses anos, aprender, acompanhar e admirar esse trabalho incrível que ela construiu. Esse conhecimento me deu muita força e coragem para desenhar o meu próprio parto perfeito.

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