Relato de parto Maria Luiza
Na manhã do dia 21/02/2014 38 semanas e 5 dias exatamente como na primeira gestação… Acordei no horário de costume, minha calcinha estava úmida fiquei na dúvida se seria bolsa rota, pois durante a gestação tenho maior produção de secreção. Cheguei para o marido e disse: Lindo minha calcinha esta úmida estou na dúvida, quando mostrei escorreu um fio de líquido em minha coxa, disse não é xixi, vou ligar para o médico assistente da Dra. Quésia.
Drª. Quésia que me acompanha nas minhas gestações, mas todas as vezes resolvemos engravidar juntas, exatamente 4 semana de diferença, como na primeira gestação! Há 13 dias á trás quando visitei Quésia e Estevão na maternidade, quando estava indo embora ela me disse: Dani você me liga, viu? -Eu responde não vou te ligar, viva o seu momento. Minhas consultas com médico assistente iniciavam por volta de 34/36 semanas.
Liguei para o Dr.:
– Acho que minha bolsa rompeu, ele pediu para eu explicar, e assim fiz…
Liguei para minha mãe, – Mãe tudo bem? Acho que Malu nasce hoje, pode vir aqui para casa, por favor? (este já era o nosso combinado, ela iria ficar com a Fefê, 2 anos e 6 meses). Fique tranquila acho que a bolsa rompeu, vou para o hospital para avaliar, não tem pressa rsrs
Se passaram no máximo 5 minutos que havia ligado para o Dr., acho que até menos, meu telefone toca, uma voz doce (escuto como se fosse hoje).
Dani Malu chega hojeeeeee!!! Fique tranquila quando estiver tudo pronto o Dr. ira me ligar
Respondi novamente: – Quel de verdade, não precisa ir, faça seu resguardo (sou muito inocente).
Tudo da maternidade já estava pronto desde 36 semanas, até a roupa da Fefê conhecer irmã também estava separada. Então, enquanto esperava o retorno do Dr. fui arrumar as coisas da Fefê ir para a escola de tarde. Não tinha contração, o líquido parecia ter parado de sair, estava bem tranquila, na verdade por alguns instantes até esqueci. Minha mãe chegou (mora perto da minha casa), tentando mostrar tranquilidade rsrs
Esqueci de olhar o celular… Meu telefone tocou, era o Doutor.
Ele: Dani onde você esta?
Eu: Em casa?
Ele: Já te mandei mensagem faz um tempo, estou na maternidade te esperando. Voce esqueceu que você não pode demorar a chegar no hospital??? (a voz já não era como no primeiro contato rsrs)
Eu: Tudo bem estou indo…
Nos despedimos da FeFê, optamos por não contar, queríamos que tivesse um dia normal e só tivesse a notícia quando Malu nascer.
E assim fizemos. Mas resolvi passar no sacolão para comprar água de coco, não sabia se o trabalho de parto iria demorar, sabia que água de coco não interfere no processo, pelo contrario ajuda bastante. Quando entro no carro o telefone toca novamente, era o DR. Hemerson: Dani onde você está???? Respondo bem sem graça: – Só passei no sacolão para comprar água de coco, estou na esquina, não estou sentindo nada, menos de 5 minutos eu chego! Realmente foi rápido ate para estacionar. Logo fui preencher minha ficha, avisei Dr. Hemerson, assim que subi para o ambulatório ele me chamou. Fomos para avaliação, ate o momento não tinha nada de contração com dor, tinha só sentia as contrações de ensaio, que para mim era normal sentia desde 24 semanas… Ele pediu pra eu colocar a camisola, deitei na maca e ele fez o exame de toque kkkkkkkkkkkkkkkk, coitado deu um pulo mas não adiantou ficou todo molhado, naquele momento a bolsa rompeu de verdade. Ele me disse:
Dani você realmente esta em trabalho de parto, não ira voltar para casa, esta com 7 cm de dilatação e nada de cadeira de rodas, pode tratar de andar para as contrações aparecerem.
Nossa fiquei tão eufórica com um misto de medo, medo se daria conta (desejava parto natural), medo de não amar tanto quanto a primeira, medo não conseguir ser mãe de 2, medo por me sentir tão sozinha naquele momento, meu coração batia a mil por hora. Tudo isso aconteceu no instante que fui no banheiro me trocar, porque fiquei toda molhada. Fomos para suíte de parto, nossaaaaaaaaaaa como estava tudo lindo, barulho da banheira soava em meus ouvidos como barulho de cachoeira, aquela luz na banheira… Desta vez estava curtindo cada detalhe, já que no da Fefê foi muito rápido. Lembro que tiramos foto, o doutor tirou uma foto comigo e o fundo era a banheira, disse pra ele: Cuidado ao postar esta foto, está parecendo que estamos no motel kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Logo Bel chegou com o seu jeito doce e maternal, é maternal mesmo me senti como filhote debaixo das asas da mãe, quando estava nos braços dela. Ela já foi tirando todos seus apetrechos, e eu ate então sem dor…
Eles pegaram meu plano de parto já fomos conversando, ela arrumou a suíte como eu queria, deixou a N.Sª do Bom Parto (a mesma do parto da Fefê) em um lugar em que eu pudesse vê-la. Não me recordo ao certo quando as dores começaram, só sei que iniciaram da mesma forma que no parto da Fefê, forte de primeira forte, muito forte!!! Começaram as massagens, óleos, bola… (delícia não vivi isso no outro parto) Bel me orientou a segurar nas barras que tem na parede da suíte e assim fazer a força ali, assim ajudaria Malu descer mais rápido, assim fiz. Meu Deus naquele instante tantas coisas, passaram na minha cabeça, análise da minha vida, tudo que havia vivido como mãe, esposa, tudo que passei na gestação, as turbulências do casamento… Meu marido não parecia estar bem, parecia não saber lidar com a situação… Olhava para o lado ele sentado no sofá teclando no celular… Me bateu um desespero, meu Deus!!! Pensei vou me permitir, precisooooo!!!! Então comecei com um choro, muito choro, aproveitava os momentos das contrações para gritar, o grito era de dor, também era de dor, mas era também para colocar pra fora tudo que seguro, sempre pendo que tenho que dar conta, sempre cuido dos outros, aquele momento queria colo, mimo, carinho, atenção, como eu estava carente meu Deus!. As contrações cada vez mais fortes, decidi que não queria ser super mulher, eu gritava isso… Não sei porque (ou até sei), mas gritava. Em um destes momentos de muito choro, alguém bate na porta do quarto, de uma forma muito diferente, impressionante como um simples bater na porta me trouxe tanto acolhimento, conforte, carinho, sinceramente não tenho palavras para descrever o som daquela mão na porta do quarto.
Quando abriu a porta simplesmente não acreditei, era Drª Quésia, estava linda, radiante, cheirosa, com os cabelos molhados, maquiada, me abraçou e me disse no meu ouvido: Eu não poderia deixar de vir, eu que já estava molhada de tanto chorar, abracei tão forte meu porto seguro, que hoje fico pensando que devo ter a machucado, eu abraçava, beijava e agradecia. Então seguimos para o trabalho de parto… Em algum momento Quel novamente sussurrou em meu ouvido, Dani queremos te dar um presente, convidamos uma fotografa para acompanhar seu parto, pode? Nossa fiquei tão felizzzz, era tudo eu queria. Eternizar aquele momento. Logo entrou uma moça alta, simpática, um sem graça, bem respeitosa nos seus movimentos, foi só até ai que me lembro dela rsrs Tinha grandes expectativas na banheira, mas antes Bel sugeriu o chuveiro, fomos, teve massagens, abraços, choro… mas não aguentei muito tempo, estava ficando muito irritada. Nossa chegou a tão esperada hora de entrar na banheira, entrei sozinha e assim permaneci um tempo, as contrações cada vez mais intensas, não sentia diferença estar ali, comecei a ter um sentimento péssimo. Comecei a ficar com raiva, muita raiva, quando as contrações viam então, meu Deus!!! Aí comecei a não me sentir bem, não queria que minha filha nascesse com aquele sentimento de raiva, gritava não queroooooooo, não quero ser super mulherrrrr, não querooooo.
Abraçava Quel como seu eu fosse quebra-la, Quel não quero ser super mulher, era o único pensamento que veio em minha cabeça, então pedi analgesia, ela disse que iria providenciar. Para mim durou eternidade, mas Bel dizia que não estava demorando, então subimos para o bloco cirúrgico, Quel queria colocar um cateter, mas o anestesista não estava para amizade naquele dia, então ela optou por não insistir, meu Deus as contrações viam eu ainda com sentimento de muita raiva, não sabia por que, me cobrava por estar com este sentimento. Minha filha não poderia nascer com aquele sentimento, ela foi muito esperada, amada (apesar de não saber o tanto que conseguiria amar, tinha este medo, conseguiria amar outro filho como eu amava Fefê???), preparei tudo com tanto amor e carinho, ela tinha que nascer em um momento em que estivesse bem. Ainda sim demorou, o anestesista fez a analgesia, havia me esquecido o tanto que demorava a fazer o efeito, voltamos para a suíte, lá Bel logo me colocou no banquinho ela se posicionou nas minhas costas, onde me massageava e sussurrava palavras de incentivo e acolhimento.
Quel de tempo em tempo olhava, desta vês sentia que Deus me deu a oportunidade de curtir tudoooo, cada detalhe…. Meu Deus cadê Estevão????? Ele estava do lado de fora na porta da suíte kkkkkkkkk Disse: Quel coloca ele aqui dentro kkkkkkkk assim ela fez e Lela a outra Doula (que privilegio 2 obstetras, 2 doulas rsrs) estava lá para ajudar com Estevão. Lembro-me que a cada contração eu olhava para a N.Sª do Bom Parto que estava em um estante bem a minha frente, ao lado estava o bebe conforto com Tedo que permaneceu dormindo o tempo todo que estava lá. Sentia que Deus me de deu a oportunidade de neste parto poder curtir cada detalhe, sentir cada detalhe, sinto ate o cheiro da sala de parto… Quel nesta fase já me avaliava com mais frequência e ia narrando, ela esta vindo, ela desceu, Dani vou te ajudar um pouco, olha o cabelinho dela, Fernando quer ver??? Imediatamente já escuto “Ave Maria” tocando, havia pedido que ela nascesse ao som da “Ave Maria” no cavaquinho.
Fiz força, Quel disse corou, isso mesmo Dani você esta ótima, está quase, outra contração outra força, senti algo como se estivesse esticando a minha vagina, ao mesmo tempo que esticava fazia uma pressão bem forte, neste momento Quel e o lindo (meu marido rsrs) se contorciam embaixo do banquinho para poder ver rsrs. Realizei poucas forças e ela nasceuuuuuuuu, as 13:26, meu Deus obrigadaaaaaa! Quel a colocou em meus braços sentia o cordão atravessando minha barriga, abracei minha filha e naquele exato momento, envolta de muita emoção e choro eu descobri que EU PODERIA AMAR NOVAMENTE, exatamente como eu amava a primeira!!! Como fiquei aliviada e feliz, eu conseguiiiiiii Logo lindo começou a sussurrar filha, papai esta aqui ela abriu os olhos e começou a buscar no olhar aquela voz que a chamava. Alguns instantes depois Quel perguntou: Fernando você quer cortar o cordão? Ele não aceitou, então eu disse: Eu quero!!!! E assim fiz, cortei o cordão, o cordão que me fez descobrir (desde que ele se formou até neste momento que o cortei) várias coisas. Malu veio para me mostrar que sou capaz, que vou conseguir, que sou forte e que realmente sou MULHER MARAVILHA, a minha visão de que como ser mulher maravilha é que estava equivocada. Neste momento também nasceu uma nova DANIELLE.
No meu plano de parto havia pedido que todos os cuidados a serem realizados com Malu deveriam ser feito na suíte de parto, quando Quel foi pedir inicialmente a pediatra não foi tão solícita, mas Quel com todo seu jeito, até ficou um pouco brava fez valer a nossa vontade. Enquanto Malu recebia os primeiros cuidados, Quel foi também cuidar de mim, enquanto realizava o procedimento pedi que queria amamentar. Quel disse: meu Deus como a natureza é sábia, assim que você disse que queria amamentar seu útero contraiu e já expulsou a placenta. Houve uma pequena laceração, foi necessário 2 pontos, logo me deram a Malu, meu Deus que satisfação, me sentia tão plena forte, realizada.
Logo Quel e Bel começaram ame arrumar para realizarmos as fotos. Genteeee tinha uma fotografa?!?! Ela estava li simmmmm, estava radiante e feliz junto comigo, neste momento ela estava mais solta, conversa comigo. Hoje vejo o tanto que Paula (a fotografa) estava presente no parto, ela conseguiu eternizar cada momento, digo momentos que não posamos para registrar. Ela conseguiu registra o momento em que eu disse: Filha como eu te amo!!! (o momento que descobri que poderia amar novamente, ela registrou meu olhar com o marido, como eu disse tanta coisa naquele olhar, o instante em que cortei o cordão e pra fechar com chave ouro o momento do encontro da nova Danielle e Quel, ela registrou o abraço de eterna gratidão que tenho pela DRª Quésia.
Termino meu breve kkkkkk relato de parto com sentimento de ser abençoada por Deus, por ter colocado pessoas maravilhosas em minha vida que cuidaram de cada detalhe e com muita gratidão por ter passado por tudo, ter conseguido e hoje ser uma nova Danielle, casada e com 2 filhas muito amadas!