Minha história com o Villa começa após um ano de tentativas de engravidar sem sucesso, em meio a uma endometriose infiltrativa e uma baixa reserva ovariana, fui encaminhada ao fertileuta, pois até então só a FIV seria a chance de uma gravidez. Em junho, aguardava para iniciar com o tratamento para fertilidade, quando me deparei com o atraso menstrual e o beta positivo! Foi uma felicidade que não cabia!
Ao lembrar do meu parto, a sensação que tenho hoje é que fui meio expectadora de tudo, é surreal como as memórias ficam depois da enxurrada hormonal da partolândia, mas, vamos começar com o relato: Dia 18/02, sexta, entrei em fase latente do trabalho, sentia as dores, só que não evoluía. A cada 10/15min eu tinha contração, fui avaliada sábado de manhã, estava com 3cm de dilatação. Sábado à noite, mantive as contrações no mesmo ritmo, sem progredir o TP, fiquei no chuveiro horas, rolei para lá e pra cá, não conseguia dormir e umas 4h entrei em desespero e comecei a chorar igual doida e comecei a questionar minhas decisões, se eu daria realmente dar conta de encarar um parto normal.
Mandei mensagem para a enfermeira obstetra Deborah, pedindo ajuda. Logo cedo, fizemos uma vídeo chamada, eu, ela e a doula Thais. Tudo o fiz foi chorar, elas me deram força e apoio para continuar, lembraram que eu era forte e que poderia passar por isso com o apoio delas e da minha família. Combinamos que meu marido iria comprar as coisas que eu gosto na padaria para tomar café da manhã e que eu ficasse tranquila que no momento certo tudo se encaminharia.
Ele saiu de casa, me deitei, veio uma contração, senti um molhado e reparei que a bolsa rompeu. Fui tomar um banho. Quando meu marido chegou da padaria, falou brincando: está tomando banho porque a bolsa estourou? Eu disse que sim e ele levou um susto!!
Deborah e Thaís em cerca de meia hora já estavam aqui em casa. Na minha cabeça eu já queria ir para o hospital, tomar analgesia. Elas falaram pra gente tentar outras coisas antes, e assim foi, iniciamos com massagem, técnicas de respiração, medidas não farmacológicas que foram fazendo com que tudo ficasse mais tolerável, com 1h eu já estava com 7cm e fomos para o hospital.
Chagando lá, a Dra. Ana já estava a nossa espera, lembrei dos relatos que já li, do abraço que recebemos e o abraço realmente é terapêutico, nos passa uma segurança tão boa, com toda a equipe a sensação que tive o tempo todo é: estamos aqui pra te ajudar e te apoiar, você não está sozinha.
Entrei na banheira de água quente e mantive as medidas não farmacológicas até os 9cm, quando precisei da analgesia, que me deu um gás para continuar, falei que queria me maquiar, pro meu filho me conhecer bonita! Todas riram, enquanto me maquiava, sentia a pressão nas contrações, mas não tinha dor, quando a pressão vinha eu abaixava para ajudar o Heitor a chegar e assim foi, até sentir que a pressão no períneo foi aumentando, nesse momento eu escolhi que o banquinho me ajudaria a trazer meu pequeno ao mundo. E assim foi, meu marido me apoiando, nas minhas costas, a equipe ao meu lado, Dra. Ana no chão. A vontade de fazer força (o puxo) é incontrolável e eu, mesmo com analgesia senti o chamado círculo de fogo (é uma queimação que não consigo explicar direito), em pouco tempo, Heitor foi recepcionado pela Dra. Ana e pela minha sogra e estava em meus braços para desfrutarmos da nossa hora de ouro! Foi um parto lindo e repleto de amor.