Era tarde de sexta-feira quando fui à consulta com Dra. Quésia. Para minha surpresa já estava com três centímetros de dilatação e o melhor, não estava sentindo nenhuma dor relacionada ao parto.
Saí de lá e liguei pra minha irmã, que é obstetra e acupunturista, vir de São Paulo logo, pois era meu segundo parto e eu sempre escutava que o segundo costumava ser mais rápido que o primeiro. Minha primeira bem-nascida, Laura, estava com um ano e quatro meses e minha mãe já estava na minha casa pra ficar com ela enquanto eu estivesse na maternidade.
Minha irmã chegou no sábado à tarde, então Sofia já podia nascer a qualquer momento. Passeamos o domingo durante todo o dia e quando voltamos para casa fiz uma sessão de acupuntura.
Dormi muito bem e quando acordei percebi que tinha contrações estavam frequentes, mas sem ritmo. Eu estava tranquila e segura, durante toda a gravidez havia me preparado.
Depois do almoço, pedi para minha irmã me examinar: ela não me disse com quantos centímetros estava só falou que estava evoluindo bem. Fizemos mais uma sessão de acupuntura e seguimos sem dor nenhuma.
Às dezessete horas ela me examinou novamente e me falou que estava com sete centímetros. Fiquei apavorada porque não estava sentindo nada. Fiquei com medo da neném nascer em casa.
Então ela ligou para Dra Quésia que até então nem sabia que eu já estava em trabalho de parto (esquecemos de avisá-la). Alguns minutos depois Quésia retornou informando para qual maternidade deveríamos ir e me tranquilizou dizendo que não precisava pressa.
Naquela hora relaxei e comecei a sentir um peso na lombar. Coloquei compressa quente e aliviou. Nos arrumamos, me maquiei e saímos eu, meu marido e minha irmã para a maternidade. Eram vinte horas.
No carro parei de sentir as contrações. Estava com o pensamento na Laura que tinha ficado em casa, era a primeira vez que me separava da minha pequena, nunca tínhamos dormido separadas.
Chegamos à maternidade e fui recebida com um caloroso abraço da Lena, minha doula pela segunda vez, e da Quésia que logo reparou na minha super produção para o parto (maquiagem e unhas pintadas).
Depois que fui instalada na suíte de parto, Dra Quésia me examinou e eu já estava com oito centímetros de dilatação, mas as contrações tinham parado.
Minha irmã percebeu que eu estava o tempo todo com o celular na mão espiando a câmera de casa pra ver a Laura. Então ela me falou sobre a importância da minha mente está conectada com o meu trabalho de parto e com a Sofia. Dei uma última espiada e guardei o celular.
Às vinte e duas horas fizemos mais uma sessão de acupuntura. Foi como ligar um interruptor de contrações. Comecei a sentir uma dor suportável. Fui para o chuveiro e sentei na bola. Lena com suas mãos mágicas massageou minha lombar. Coloquei o tens que me ajudou. E coloquei em prática todas as técnicas do hypnobirthing que tinha lido durante a gravidez.
TENS é um dispositivo de neuroestimulação elétrica transcutânea utilizado para aliviar sensações dolorosas. Para o trabalho de parto é utilizado um TENS portátil, controlado pela própria grávida.
Hypnobirthing é um conjunto de técnicas de auto-hipnose e controle mental para que a mulher fique centrada e que tenha um parto positivo e prazeroso.
Lena encheu a banheira e eu entrei. Nossa, que alívio e relaxamento eu senti naquela hora! Experimentei várias posições e a que me deu mais conforto foi de joelhos. Lena e minha irmã massageavam minha lombar.
De repente senti uma contração muito forte que me fez contrair o corpo inteiro (aquela que quando somos marinheiras de primeira viagem achamos que vamos partir ao meio). Quando passou, Dra. Quésia segurou minha mão e falou: “agora, é só lembrar do Epi-no”. (Aliás, na segunda gravidez eu fiz fisioterapia com mais disciplina e aquilo fez muita diferença. O treinamento com o Epi-no, então, foi maravilhoso.)
Epi-no é um dispositivo alemão usado para preparar a musculatura da vagina para o parto normal. Pode ser utilizado a partir da trigésima sétima semana de gravidez através de sessões diárias em que um balonete é inflado dentro da vagina com diâmetros progressivamente maiores, de acordo com a tolerância da mulher.
Então veio a próxima contração e fiz igual eu tinha feito nos treinamentos com o Epi-no: empurrei. Senti a bolsa estourando e a cabecinha da Sofia apareceu. Veio a próxima contração e a Sofia nadou pra frente, vindo direto pros meus braços.
Nasceu esperta e decidida. Ficamos ali na água nos observando. Eu, completamente encantada pela minha princesa, de olhar firme e curioso. Como nasceu linda! Eu nem acreditava que tinha tido um parto natural! Um parto bem diferente do primeiro, que tinha sido induzido. Duas experiências distintas, mas duas experiências maravilhosas! Muita gratidão por tudo o que vivi!