O que é Versão Cefálica Externa (VCE)?
A versão cefálica externa (VCE) é um procedimento usado para que um bebê com apresentação pélvica (sentado) ou situação transversal (de lado) passe a ter uma apresentação cefálica (de cabeça para baixo) antes do início do trabalho de parto. Assim, quando a VCE funciona, é bem provável que a mãe consiga ter um parto vaginal facilitado pela posição do bebê.
Como é o procedimento de VCE?
Antes da tentativa de versão, pode ser necessário que a mãe use medicações chamadas de tocolíticas, como por exemplo a Terbutalina, que inibem as contrações e o trabalho de parto, relaxando o útero e facilitando o procedimento. Quando o útero estiver relaxado, o obstetra tentará virar o bebê. O médico vai colocar as duas mãos sobre o do abdome da gestante e segurar a cabeça e as nádegas do bebê, empurrando e rodando o feto para a posição de cabeça para baixo, para que a cabeça esteja virada para o canal vaginal. Pode haver um pouco de desconforto durante o procedimento de versão, que ocorre principalmente se o útero se contrair. Se o bebê apresentar sinais de alarme, como uma queda rápida nos batimentos cardíacos, o procedimento é interrompido e serão tomadas medidas para assegurar a saúde dele.Monitorização fetal durante a Versão Cefálica Externa
Devemos monitorar os sinais vitais do bebê para evitar que ele sofra durante o procedimento. O ultrassom fetal é usado inicialmente para confirmar a posição do bebê, da placenta e a quantidade de líquido amniótico e ele também pode ser usado também para acompanhar a mudança da posição do bebê durante a tentativa de versão. Os batimentos cardíacos fetais (BCF) também são monitorados durante e após a tentativa de VCE. Desse modo, se a frequência cardíaca do bebê aumentar ou diminuir mais que o normal , o procedimento de versão pode ser interrompido, garantindo a segurança da mãe e da criança.Quando é possível fazer a manobra de VCE?
- A mãe deve ter de 36 a 42 semanas de gravidez.
- Antes de 36 semanas, é provável que o bebêmude sozinho para uma posição de cabeça para baixo (apresentação cefálica).
- O ideal é que a versão seja feita entre 36 e 38 semanas, porque o bebê ainda está pequeno e há maior quantidade de líquido amniótico e espaço para que ele se mova no útero.
- A mãe está grávida de apenas um bebê.
- O bebê ainda não está encaixado na pelve materna.
- Existe líquido amniótico suficiente em torno do bebê para fazer a versão.
- O feto está com apresentação pélvica (sentado).
Quais cuidados são necessários após o procedimento?
Geralmente, a gestante e o bebê são monitorados por um curto período de tempo após a VCE. Assim que o obstetra autorizar, a gestante pode retomar suas atividades cotidianas.NÃO se deve fazer a VCE quando:
- A membrana amniótica já se rompeu.
- A mãe tem alguma condição de saúde que a impede de receber certos medicamentos tocolíticos para prevenir contrações uterinas.
- Existe indicação formal de cesariana.
- A monitorização do bebê mostra que o ele pode não estar bem.
- O bebê está com cabeça em hiperextensão, isto é, quando o pescoço está reto, ao invés de inclinado para a frente com o queixo encostando no peito.
- Existe confirmação ou suspeita de malformação fetal.
- A gestação é múltipla (gêmeos, trigêmeos ou mais).
- O útero da mãe tem um formato diferente do habitual.

A Versão Cefálica Externa funciona?
A VCE tem uma taxa média de sucesso de 58%, sendo que a primeira tentativa é aquela que apresenta maior chance de êxito.A versão tem maior probabilidade de sucesso quando:
- A mãe já teve pelo menos uma gravidez e parto,
- Não há partes do bebê, como pé ou perna, envolvidas pela pelve materna,
- O feto está cercado por uma quantidade normal de líquido amniótico,
- O procedimento é feito com idade gestacional adequada e antes do início do trabalho de parto.
É menos provável que a versão tenha sucesso quando:
- O feto ou parte dele está envolvido pela pelve da mãe.
- O médico não consegue segurar a cabeça do feto.
- O útero está duro ou tenso ao toque.
Há risco de complicações?
Complicações sérias são raras durante a versão cefálica externa, mas podem acontecer. Desse modo ela deve ser feita dentro de um hospital, onde pode ser realizada uma cesariana de emergência, se necessário. Com monitorização frequente, os riscos do procedimento para a mãe e para o bebê são baixos. Os riscos potenciais da manobra, para os quais o bebê e a mãe são monitorados de perto, incluem:- Torcer ou apertar do cordão umbilical, reduzindo o fluxo e o oxigênio para o bebê.
- Início do trabalho de parto durante o procedimento, que pode ser causado pela ruptura da bolsa das águas (ruptura prematura das membranas).
- Sangramento, que pode levar à mistura do sangue da mãe e do feto.
- Descolamento de placenta, ruptura do útero ou danos no cordão umbilical. Essas complicações, apesar de muito raras, são possíveis.
E quando a Versão Cefálica Externa não funciona?
Quando a primeira tentativa de versão não funciona, o obstetra pode sugerir uma nova tentativa. Em alguns casos, pode-se fazer anestesia peridural para obter um maior relaxamento e reduzir a dor associada ao procedimento. Se a VCE não for bem sucedida, existem duas opções:- Realizar o parto vaginal, se o bebê estiver pélvico;
- Realizar uma cesárea programada para pélvicos ou transversos.
Parto vaginal vs. Cesariana: o que escolher se o bebê continuar sentado após a tentativa de VCE?
Tanto o parto vaginal quanto a cesárea apresentam riscos quando o bebê está sentado, mas o risco de complicações é maior com um parto vaginal do que com uma cesariana planejada. Se você prefere ter um parto vaginal, o seu obstetra irá avaliar os riscos e benefícios individualmente, e poderá indicar uma cesariana caso os riscos superem os benefícios. Além disso, a experiência do médico na condução de partos vaginais de bebês pélvicos é um importante fator para um parto seguro.