Você sabe utilizar o vácuo-extrator para auxiliar o parto?

Você sabe utilizar o vácuo-extrator no parto normal?

O vácuo-extrator é uma ferramenta essencial no arsenal dos obstetras, especialmente em situações onde a expulsão fetal precisa de assistência. Você sabe utilizar o vácuo-extrator para auxiliar o parto normal? Entre os principais benefícios do vácuo-extrator em relação ao fórceps estão a facilidade de uso e a menor necessidade de analgesia ou anestesia, além de reduzir o risco de lacerações.

O que é o Vácuo-Extrator?

O vácuo-extrator é um instrumento obstétrico de flexão e tração que auxilia na expulsão fetal. Funciona criando uma sucção por meio de uma ventosa colocada no couro cabeludo do feto, facilitando a tração cefálica durante o parto. Ele é composto por:

  • Ventosa: Pode ser rígida ou não rígida, sendo que as ventosas rígidas, como as plásticas (exemplo: Kiwi), são preferíveis por causarem menos lesões no couro cabeludo fetal e possuírem maior taxa de sucesso.
  • Sistema de Tração: Responsável pela aplicação da força necessária para a expulsão fetal.
  • Bomba Manual: Cria a pressão negativa entre a ventosa e a apresentação fetal.

Técnica de Aplicação do Vácuo-Extrator

A aplicação do vácuo-extrator exige conhecimento profundo da mecânica obstétrica. A técnica correta maximiza a tração, minimiza o desprendimento da campânula, e replica o mecanismo natural do parto.

Passos Iniciais: Preparação e Avaliação do Vácuo-Extrator

Antes de iniciar a aplicação, o profissional deve garantir que todos os critérios de aplicabilidade sejam revisados, utilizando a mnemônica ABCDE:

  • A: Solicitar Ajuda aos profissionais presentes e comunicar o centro cirúrgico em caso de falha do método. Explicar o procedimento à paciente e assegurar analgesia adequada.
  • B: Bexiga Vazia deve ser garantida com a passagem de uma sonda vesical de alívio, se necessário.
  • C: Colo com Dilatação Total e Bolsa Rota deve ser verificado. Realizar amniotomia se necessário.
  • D: Determinar a Variedade de Posição da apresentação fetal e estar alerta para possíveis distocias ou incompatibilidades feto-pélvicas.
  • E: Equipamento Checado para garantir o funcionamento adequado da bomba de vácuo.

Etapas Operatórias do Vácuo-Extrator

  1. Localizar o Ponto de Flexão: Posicione a ventosa corretamente sobre a sutura sagital a 3 cm da fontanela posterior.
  2. Inserir e Fixar a Ventosa: Insira a ventosa até a distância calculada e fixe-a corretamente, garantindo que não haja tecido materno interposto.
  3. Criar o Vácuo: Utilizar a bomba de vácuo para criar a pressão recomendada (450-600 mmHg). A posição da ventosa deve permitir a rotação fetal.
  4. Iniciar a Tração: Realizar a tração no momento da contração uterina, em conjunto com a manobra de Valsalva da paciente. A tração deve seguir a curvatura do canal de parto e ser ajustada conforme a progressão do parto.
  5. Suspender o Procedimento se Necessário: Se a ventosa se soltar três vezes, não houver progressão em três contrações consecutivas, ou se o procedimento ultrapassar 20 minutos, ele deve ser suspenso.

Complicações e Procedimentos Finais

Complicações maternas do vácuo-extrator incluem lacerações vaginais e do colo uterino, enquanto complicações neonatais podem incluir lesões no couro cabeludo, como céfalo-hematoma e hemorragia intracraniana. Após o procedimento, o médico deve revisar possíveis lacerações, realizar sutura e garantir que tanto a mãe quanto o recém-nascido recebam os cuidados adequados.

O vácuo-extrator, quando utilizado corretamente, é uma técnica segura e eficaz que pode facilitar o parto vaginal e reduzir o risco de complicações graves tanto para a mãe quanto para o bebê.

 

Referências

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