Quando o bebê nasce, o cordão umbilical deve ser clampeado e em seguida cortado. Portanto, aquela ligação que unia mãe e bebê é desfeita neste momento. Assim, o neném passa a respirar e se alimentar sem a ajuda da placenta.
Nos anos 50, era comum que o cordão fosse clampeado cerca de 10 a 20 segundos após o bebê nascer. Com os avanços da medicina, decidiram comparar o clampeamento imediado versus o tardio, com pelo menos 60 segundos após o nascimento.
O clampeamento tardio permite que parte do sangue contido no cordão e na placenta retorne ao bebê.
E o que os estudos mostram?
Estudos mostram que o clampeamento tardio é benéfico tanto para os bebês que nascem no tempo certo quanto para prematuros!
Aproximadamente 80 ml de sangue passam para o neném quando se espera 60 segundos para o clampear o cordão. Constatou-se que nesse primeiro minuto é quando a maior quantidade de sangue é transferida. Caso se espere 3 minutos a quantidade atingida chega a 100ml, somente 20 ml a mais em dois minutos de espera.
Por isso, o tempo de espera hoje varia de serviço para serviço, podendo ir de 1 até 5 minutos de espera.
No Brasil, a Federação Brasileira de Ginecologistas e Obstetrícia (FEBRASGO) instituiu que esse tempo deve ser de 1 a 3 minutos.
Clampeamento tardio: quais são os benefícios para o bebê?

- Prevenção de anemia por carência de ferro na criança – para os bebês que nascem no tempo certo, esperar no mínimo um minuto para desfazer a ligação com a placenta aumenta as reservas de ferro e os níveis de hemoglobina nos primeiros meses de vida. Isso diminui as anemias ferroprivas no primeiro ano de vida da criança.
- Melhor imunidade para o bebê – esse sangue que é transferido em 1 minuto também tem mais anticorpos, que protegem o bebê de infecções e fortalecem sua saúde.
- Aporte de oxigênio para o bebê – esse sangue rico em oxigênio que é transferido para a criança pode bastante benéfico, principalmente se a respiração espontânea do bebê não tiver começado.
- Diminuição das hemorragias e da necessidade de transfusão de sangue nos prematuros.
Existe algum malefício no clampeamento tardio do cordão?
Alguns estudos mostram que aqueles que receberam essa dose extra de sangue tiveram uma taxa um pouco maior de icterícia (“amarelão”), necessitando de fototerapia. Porém, as pesquisas concluíram que os benefícios superam os riscos, desde que o hospital tenha equipamento adequado para fototerapia. Como a maioria das maternidades tem esse tipo de suporte, em geral deve-se sempre fazer o clampeamento tardio.
Há algum risco para a mãe?
Não há riscos para a mãe. O clampeamento tardio não está relacionado com aumento nas taxas de hemorragia nem no parto nem no pós parto.
Apesar de todos os benefícios ainda hoje algum serviços realizam o clampeamento precoce do cordão, por isso é importante que o seu desejo faça parte do seu plano de parto. Além disso, há situações especiais que justificam o clampeamento precoce do cordão. Converse sempre com seu médico e tire suas dúvidas.
Fonte: ACOG – Delayed Umbilical cord clamping after birth.
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