Reflexo de Ejeção Fetal: você sabe o que é isso?

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Você já ouviu falar em reflexo de ejeção fetal? Isso tem a ver com os nossos “instintos”na hora de parir.

Em quase toda a história da humanidade, as mulheres pariram assim como todos os mamíferos: escolheram um lugar calmo e protegido para dar a luz ao seus bebês. No geral, o trabalho de parto era algo unicamente da mulher e do seu bebê, que, juntos, uniam forças para possibilitar aquele fenômeno natural: o nascimento. 

Contudo, a nossa civilização, principalmente a ocidental, mudou bastante a história do parto. O lugar escuro e calmo deu lugar a um hospital cheio de luz, barulho e aparelhos. Médicos, enfermeiros e técnicos passaram a fazer parte daquele momento. É inegável que isso trouxe inúmeros avanços, principalmente evitando finais ruins para gravidezes e partos com complicações. 

Mas será que há espaço para a natureza agir nesse ambiente? Será que ainda somos capazes de parir sozinhas?

 O corpo da mulher não foi desenhado para ter puxos e ficar empurrando por 1 ou 2 horas.  Na verdade, em um parto fisiológico, uma cadeia de reações químicas e físicas baseadas na ocitocina desencadeiam um reflexo que é capaz de expelir o bebê pelo canal de parto sem que haja nenhuma participação consciente da mãe.  

Em 1960 o fisiologista Americano Niles Newton nomeou este reflexo de “reflexo de ejeção fetal”, durante sua pesquisa com parto de camundongos. Ele observou que para que este reflexo acontecesse, era necessário um ambiente de quietude e que qualquer interferência no ambiente poderia atrapalhar o nascimento dos camundongos.

A partir da década de 1980, Michel Odent também começou a usar o termo “reflexo de ejeção fetal” para mulheres em trabalho de parto. 

Ele disse, em um artigo:

 

O reflexo de ejeção fetal é inibido por qualquer interferência no estado de privacidade da mulher.  Pode ser inibido por exames vaginais, pelo contato olho no olho ou pela mudança de ambiente.  Pode não ocorrer se o intelecto da mulher for estimulado pela linguagem racional: “Você está com dilatação total! Você deve empurrar!” . Pode ser inibido se o ambiente tiver luzes fortes. O atendente do parto deve ser apenas um observador, um ajudador, um guia suportivo.” 

O reflexo de ejeção fetal ocorre espontaneamente, principalmente quando o trabalho de parto ocorre completamente sem perturbações. Ou seja, quando a mulher se sente completamente segura e apoiada, com privacidade, em um ambiente calmo e acolhedor.  Entretanto pode ser bloqueado por qualquer sensação de perigo no final do trabalho de parto. Por exemplo, se na fase final do trabalho de parto ela for ameaçada com intervenções ou sentir medo que algo de ruim aconteça com o seu bebê.

Infelizmente o ambiente “ideal” é raro em maternidades e hospitais, o que torna mais difícil a ocorrência do reflexo de ejeção fetal. As mulheres são freqüentemente perturbadas durante o parto com de procedimentos ou intervenções de “rotina”.

Mais tarde, cientistas chamaram este reflexo de “Reflexo de Fergurson”, que se tornou um exemplo de alça hormonal feedback positiva do eixo hipotálamo-hipófise-útero.  Ele acontece em todos os mamíferos quando o feto atinge a vagina e involuntariamente sua cabeça causa a pressão nas paredes vaginais.  Os nervos da pelve são estimulados e assim ocorre a expulsão fetal incntrolável e inconsciente. 

Ou seja, quando o bebê atinge a vagina, o cérebro percebe e libera mais ocitocina, resultando em duas ou três contrações mais intensas. É como se o corpo percebesse que aquele bebê precisa nascer naquele momento. Com essas contrações mais fortes, o bebê nasce de maneira rápida e fácil, sem necessidade da mãe fazer o puxo (empurrar) voluntariamente. 

Como o reflexo de ejeção fetal pode ser identificado?

Quando a mulher está vivendo um trabalho de parto com poucos incômodos, é mais fácil notar a natureza agindo. Esse reflexo ocorre na fase final do trabalho de parto, quando a dilatação já está completa.

Etapa 1: endorfinas!

É comum que, no fim da trabalho de parto, a mulher comece a ter um certo sono entre as contrações. Isso significa que o corpo dela está mergulhado em endorfinas, como a Ocitocina (o famoso “hormônio do amor”, que promove as contrações do útero). Às vezes,nessa hora, a equipe assistente fica preocupada com a evolução do parto, por causa desse sono da mulher. Contudo é importante manter a calma para não tirar a mulher daquele momento, evitando incomodá-la demais. 

Etapa 2: adrenalina!

No meio dessa “calmaria” é que, de repente, o corpo se banha de adrenalina. Isso é um mecanismo que a natureza encontrou de trazer de volta a atenção da mulher para o bebê que está chegando. E é aí que vem o reflexo de ejeção fetal, com mais um boom de ocitocina. Geralmente também é nessa hora em que as mulheres começam a demonstrar medo e achar que não serão capazes de continuar. Isso é um efeito direto da adrenalina sobre o pensamento humano. É comum também que as mulheres queiram até mudar de posição nessa hora, mas isso faz parte dos reflexos agindo sobre o trabalho de parto.

Esse é um momento delicado, porque a maioria dos profissionais acabam se preocupando com essa inquietação materna. O ideal é deixar a mãe viver aquele momento sem tantas interferências. Isso porque quanto menos a mãe conectar seu “cérebro pensante”, mais os instintos e reflexos vão funcionar.  

Etapa 3: reflexo de ejeção fetal e nascimento!

Aqui irá acontecer o reflexo de ejeção e nascimento. Geralmente, quando essa etapa chega, o bebê nasce após 3 ou 4 contrações, sendo que pode ser que a mãe nem tenha necessidade de fazer o puxo (empurrar o bebê). 

Portanto, deixe a natureza agir….

Como podemos ver, tanto a ocitocina como a adrenalina tem ações importantíssimas no trabalho de parto fisiológico. Permitir que a mulher viva cada etapa do seu parto faz dele uma experiência mais intensa e transformadora.

É normal que nos sintamos mais seguras num hospital, mas deixar a natureza agir é fundamental para uma vivência mais positiva do parto.

 

 

 

 

 

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