Endometriose: entenda TUDO sobre este problema!

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A endometriose, que parece ser uma “doença da moda”, tem sido cada vez mais diagnosticada. Mas é preciso entender o que ela é, para diminuir as angústias em torno dessa doença.

O que é endometriose?

A endometriose é uma condição na qual o tipo de tecido que forma o revestimento do útero, chamado de endométrio, é encontrado fora do útero. Ou seja, esse tecido é encontrado fora do seu lugar habitual. 

É comum ter endometriose?

A endometriose ocorre em cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva. No entanto, não apresenta sintomas em todas elas, podendo passar despercebida e não sendo necessário algum tratamento. Ela é diagnosticada principalmente em torno de 30 e 40 anos.

Onde ela ocorre mais frequentemente?

Os principais locais onde esse a endometriose aparece são:

  • Peritônio (é uma membrana que recobre as vísceras);
  • Ovários;
  • Tubas uterinas/trompas de falópio;
  • Superfícies externas do útero, bexiga, ureteres, intestinos e reto;
  • Fundo do canal vaginal (um espaço atrás do útero chamado de Fundo de Saco de Douglas);

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Quais são seus principais sintomas?

  • Dor pélvica crônica: esse é, sem dúvida, o sintoma mais comum da endometriose. Ocorre a longo prazo, especialmente imediatamente antes e durante o período menstrual. 
  • Dor durante a relação sexual: chamada de dispareunia, ela pode ocorrer tanto relacionada ao quadro crônico de dor, como também pela formação de fibroses no fundo do canal vaginal. Por isso mesmo, a dor é mais comum durante a penetração profunda. 
  • Constipação intestinal: se houver endometriose no intestino, pode ocorrer dor durante os movimentos intestinais e constipação intestinal. 
  • Dor ao urinar: se afetar a bexiga, pode ser sentida dor durante a micção, de forma crônica. 
  • Sangramento menstrual intenso: também é outro sintoma importante da endometriose, relacionado ao crescimento excessivo do endométrio.

No entanto, é importante frisar que muitas mulheres com endometriose não apresentam sintomas. Nesses casos, essa hipótese vai ser pensada principalmente nos quadros de infertilidade. 

Quais problemas a endometriose causa?

O endométrio, tecido que aparece em outros locais além do útero na endometriose, é o responsável pela menstruação. É ele que descama todos os meses, pois ele é sensível às variações dos níveis de estrogênio, um hormônio feminino. Assim como o revestimento uterino, os implantes da endometriose também podem sangrar no período menstrual. Como não existe uma “via de saída”, esse sangue na cavidade abdominal provoca irritação e inflamação. No término dessa inflamação, acaba havendo fibrose (tecido cicatricial). Isso pode levar a formação de aderências, como depois de cirurgias do abdome. Essas aderências, além de provocarem dores, por dificultarem a movimentação dos órgãos dentro do abdômen, podem ser responsáveis também por constipação intestinal. 

Portanto, os sintomas podem aparecer tanto ligados ao ciclo menstrual, pelo sangramento e inflamação que ocorrem onde há implantes de endometriose, como por obstrução do intestino. 

Qual é a ligação entre infertilidade e endometriose?

Quase 40% das mulheres com infertilidade têm endometriose (sozinha ou associada a outro fator de infertilidade. Esse problema pode ser justificado por duas questões centrais da endometriose:

  1. Inflamação: O quadro inflamatório pode danificar o esperma ou o óvulo ou interferir no movimento das trompas de falópio e do útero. 
  2. Aderências: em casos mais graves, as tubas uterinas podem ser bloqueadas por aderências ou tecido cicatricial. Com isso, o óvulo não consegue ser fecundado. 

É importante que fique claro que infertilidade é diferente de esterilidade. Existem vários métodos para ajudar mulheres com infertilidade a engravidarem, como cirurgias no caso de aderência, Fertilização in vitro, entre outras. 

Como é diagnosticada a endometriose?

Seu ginecologista deve fazer primeiro um exame físico, incluindo um exame da pelve e da vagina. Nesse momento, ele pode perceber alterações ao toque que indiquem alguma fibrose nessa região. 

Além disso, ele pode solicitar exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, que podem sugerir um quadro de endometriose. No entanto, a única maneira de garantir esse diagnóstico é através de um procedimento cirúrgico chamado laparoscopia. Através dela, uma pequena quantidade de tecido é coletada (biópsia) e enviada para análise. 

endometriose-instituto-villamil-3No entanto, é preciso entender que esse procedimento não deve ser feito sem indicação. Como é um ato cirúrgico, envolve riscos, além de poder gerar mais aderências na paciente. Além disso, pode ser que o cirurgião não veja a lesão (por estar mais oculta) e não ocorra um diagnóstico, mesmo que a pessoa tenha a doença. 

Como é tratada a endometriose?

O tratamento para endometriose depende da várias questões:

  • extensão da doença; 
  • presença de sintomas; 
  • desejo de ter filhos. 

Na maioria dos casos, a dor é a principal indicação de tratamento. Por isso, um dos objetivos principais do tratamento é deixar a paciente sem dor.

A endometriose pode ser tratada com medicação, cirurgia ou ambas. Quando a dor é o principal problema, a medicação geralmente é tentada primeiro.

Os quadros de constipação intestinal crônica devem ser tratados principalmente com dieta laxativa e aumento do consumo de líquidos. 

Quais medicamentos são usados ​​para tratar a endometriose?

Os medicamentos usados ​​para tratar a endometriose incluem:

  1. Analgésicos: os medicamentos que aliviam a dor, tais como dipirona, paracetamol e ibuprofeno, são frequentemente parte do tratamento. Como cada mulher tem um grau diferente de dor e responde diferentemente a cada medicamento, o tratamento é individualizado. 
  2. Contraceptivos hormonais: como o endométrio cresce por causa do estrógeno, são usados medicamentos contendo apenas progesterona. Pode ser em forma de pílula ou injeção. Eles são diferentes das pílulas comuns, que têm uma associação de progesterona e estrógeno. O principal objetivo quando se usa um contraceptivo hormonal é inibir o ciclo menstrual normal. Dessa forma, não há aumento importante do estrógeno no sangue, o que atrasa o crescimento do tecido endometrial e podem impedir a formação de novas aderências. No entanto, os tecidos de endometriose já formados não são destruídos.

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Qual é o papel da cirurgia no tratamento da endometriose?

Quando há indicação, a cirurgia pode ser feita para aliviar a dor,  melhorar a fertilidade e em casos de obstrução intestinal. Durante a cirurgia, os implantes de endometriose podem ser removidos.

Contudo, a cirurgia deve ser vista com cautela, pois contém riscos.

A cirurgia cura a endometriose?

Geralmente, não. Após a cirurgia, a maioria das mulheres tem alívio da dor. No entanto, há uma chance considerável de que a dor volte, sendo que 40 a 80% das mulheres têm dor novamente dentro de 2 anos após a cirurgia. Isso pode ser devido à endometriose que não era visível ou não pôde ser removida no momento da cirurgia. Pode ser também pela formação de novas lesões da doença. Quanto mais grave a doença, maior a probabilidade da dor permanecer ou voltar pouco depois da cirurgia. 

Por isso é importante fazer um acompanhamento adequado depois da operação. Geralmente, há necessidade de continuar usando contraceptivos hormonais, que podem prolongar o período sem dor.

E se permanecer com dor depois do tratamento?

Se a dor é intensa e não desaparece após o tratamento, é necessário primeiramente investigar outras causas de dor. Em vários casos, pode ser interessante a utilização de outras técnicas de alívio de dor, como acupuntura. Pode ser necessário também a ajuda de um psicoterapeuta. Quando a endometriose parece realmente ser o único motivo das dores persistentes, em alguns casos extremos pode ser necessário retirar o útero e os ovários. Sem os ovários, o tecidos receberão menos estrógeno e devem regredir. Contudo, ocorre uma menopausa precoce, com todos os sintomas associados.

Depois da menopausa continuarei tendo as dores?

Geralmente, há uma melhora considerável do quadro após a endometriose. Isso ocorre porque o ovário para de liberar estrógeno, o que pode levar a regressão de algumas lesões. Como não há sangramento menstrual, os tecidos fora do útero também não sangram, portanto acaba a inflamação. Contudo, as aderências tendem a permanecer, então se houver dor relacionado a elas, pode existir ainda algum incômodo. 

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