Glenda e Jean: VBAC aos 45 anos

parto humanizado
Embora a recomendação fosse interromper a gravidez, Jean Marcell nasceu com 40 semanas, forte e saudável, em um parto transformador

Aos 45 anos, Glenda Sena engravidou do terceiro filho. Já tinha passado por um parto normal e por uma cesárea intraparto, e no primeiro trimestre sofreu complicações que tornavam recomendada a interrupção da gestação.

Nascida na Venezuela, filha de mãe brasileira e pai italiano, Glenda estava no Brasil para visitar a família e logo retornaria para casa, na Colômbia. Mas o primeiro sangramento a fez conhecer a médica que, 9 meses depois, se tornaria a obstetra a acompanhar a chegada de Jean Marcell.

Contrariando as estatísticas e no meio da pandemia do novo coronavírus, o caçula da família Sena nasceu com 40 semanas e 1 dia de gestação, forte, saudável, e em um VBAC cheio de música, Veja abaixo o relato da gravidez e parto de Glenda:

“No dia em que cheguei à primeira consulta com a minha obstetra, trazia uma mala bem pesada. Uma gravidez acima da “idade recomendada”, dois miomas, duas cirurgias de ovários, uma incompatibilidade de Rh fetal, uma hemorragia na 10ª semana de gestação e o coração na mão… cheio de esperanças.

Umas semanas antes, morando fora do Brasil, já tinha paquerado o Instituto Villamil e a Dra. Quésia, por indicação de uma amiga de BH que, quando soube que eu estava grávida, logo me recomendou: “Ela é a melhor das melhores, e ainda é blogueira”.

Fiquei curiosa, e ainda com 6 semanas de gravidez pensava nessa utopia que mostravam em cada post do instituto, presumindo que tinham estrutura para acompanhar um parto “sonhado”.

Sendo mamãe de terceira viagem, com um parto normal e uma cesárea intraparto, uma parte de mim duvidou e outra quis acreditar no que pregavam. Foi então que cheguei ali.

 

Vou super resumir tudo o que passei e que passamos juntos: com 10 semanas de gestação tive a primeira hemorragia, e a Dra. Quésia correu comigo para o Instituto Villamil. Com 12 semanas, uma segunda hemorragia que parecia o Mar Vermelho, e a Dra. Quésia correu de novo (parecia que eu só gostava de finais de semana). A terceira hemorragia foi na 13ª semana, e a mesma história. Os ultrassons não mostravam absolutamente nada, a triagem do primeiro trimestre feita pela Dra. Marianna Pedroso mostrou um bebê forte e todas as condições normais de uma gravidez.

Na 15ª semana, em um domingo, Foz do Iguaçu apareceu na minha cama, seguida de uma hemorragia. Dra. Quésia e Dra. Ana correram e confirmaram até com teste químico o rompimento da bolsa.

Embora a literatura médica indicasse uma interrupção da gestação para casos como o meu, decidimos prosseguir com a gravidez, pois o bebê ainda tinha bons sinais vitais e eu também. Todos os cuidados foram tomados, e eu não podia nem levantar da cama para ir ao banheiro. Fazíamos exames diários para controle, imunoglobulina para o Rh, repouso absoluto, e continuamos pedindo um milagre a Deus. Esperávamos que a gravidez chegasse, com sorte, à 34ª semana.

Os meses passaram, comecei a fazer fisioterapia pélvica, fiz – como se fosse mãe de primeira viagem – o curso de preparo para o parto e também o hypnobirthing, conheci as doulas e enfermeiras obstétricas e me permitiram escolher quem eu quisesse para me acompanhar daí até o dia do parto.

Com 35 semanas, o meu Jean ainda não estava em apresentação cefálica. Fiquei assustada! A equipe do instituto me ofereceu o serviço domiciliar para fazer acupuntura e ver se ele passava para a posição correta, e se não desse certo, teríamos ainda a opção de fazer uma Versão Cefálica Externa. Mas graças a Deus, e com ajuda das técnicas orientais milenares, na semana 37 o baby virou e estava pronto para nascer.

Só que ele decidiu esperar. Depois de nossas orações para chegar à semana 24, nesse momento sentimos que foram realmente efetivas, pois o Jean chegou a 40 semanas e 1 dia e nós concordamos em fazer a indução do parto. Começaríamos com os métodos mais simples, até o uso super controlado de ocitocina e a ajuda da analgesia, já que eu queria continuar me movimentando e escolher a posição mais confortável para o parto.

 

E assim foi. Dançamos e eu chorei de alegria e de dor, mas dor corporal, porque a minha alma estava regozijada por tanta magia e pela tranquilidade de ter comigo as pessoas certas, parecidas comigo, e que como eu sabem respeitar, ser empáticas e amam ajudar porque simplesmente essa é a nossa natureza. Foi uma bênção de Deus ter juntado tanta gente competente e maravilhosa, que ajuda formar uma nova geração de crianças e mães conscientes da sabedoria da natureza materna.

Dez horas após o início da indução, chegou o Jean Marcell, no dia 23 de maio, no parto mais surreal e magnífico que jamais sonhei. Eu teria que fazer outro relato para compartilhar todas as ondas e cores que vivemos nesses momentos, mas posso dizer que minha percepção de nascimento, família, respeito e sabedoria mudou totalmente nesse dia.

Agora sei que quando estamos com as pessoas certas no caminho da maternidade, tudo flui. Não mudaria nada do caminho andado e menos ainda do dia do parto. Obrigada, vocês não sabem o quanto me ensinaram. Abraço eterno para todos vocês.”

 
 
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