Métodos contraceptivos pós parto: quando usar e qual método é o mais recomendado no puerpério?
Sabe-se que mulheres que não estão em uso de contracepção podem engravidar após o parto. O uso desses métodos auxilia no planejamento familiar, evitando gravidezes não planejadas e muito próximas entre si.
A escolha do melhor método deve levar em conta alguns componentes, como:
– Timing: Alguns métodos contraceptivos são adequados para o uso logo após o parto, enquanto outros necessitam de algum tempo para serem iniciados.
– Amamentação: De forma geral, a maioria dos contraceptivos não são contraindicados durante a amamentação, porém, algumas formas não são recomendadas durante as primeiras semanas de aleitamento, sob o risco de alteração nas reservas de leite.
– Efetividade: Em alguns casos o método contraceptivo que a mulher estava em uso antes da gestação pode não ser o mais adequado para o puerpério, então é importante se atentar a isso.
Amamentação
O método de amenorreia lactacional (LAM) é um método temporário de planejamento familiar. É baseado no mecanismo natural que o corpo feminino desenvolve para prevenir a ovulação enquanto amamentando, se valendo do efeito temporário da amamentação sobre fertilidade feminina. Para que o método tenha sucesso é preciso que a criança esteja em amamentação exclusiva e frequente. O tempo entre as mamadas não deve ultrapassar 4 horas durante o período diurno ou 6 horas durante a noite. Por esse motivo, amenorreia lactacional pode não ser prático para todas as mulheres.
Como é um método natural, essa forma de contracepção apresenta a grande vantagem de não ter custo monetário, fora os benefícios da amamentação por si só. Além disso, não existem riscos ou efeitos colaterais do uso do LAM. Seu efeito pode ser observado apenas até 6 meses após o nascimento ou até o retorno do ciclo menstrual. Ainda é incerto se ordenhar o leite materno diminui a efetividade do LAM.

DIU
O dispositivo intrauterino ou DIU, é um dispositivo pequeno, em forma de T, que é colocado no interior do útero. O DIU pode ser inserido logo após o parto, seja ele vaginal ou cesariana, ou após a primeira consulta pós parto.
Existem opções diferentes de DIUs, sendo os mais comuns o hormonal e o de cobre. O DIU hormonal funciona por meio da liberação de uma quantidade pequena de progestágeno no útero enquanto o DIU de cobre atua formando um ambiente inóspito para a fecundação. Ambos funcionam impedindo que o ovulo e o espermatozoide se encontrem e haja a fecundação.
E quais são os benefícios do uso do DIU? Esse método não interfere na vida sexual de forma que, uma vez inserido, não é necessário associar nenhum outro método para prevenir a gravidez. O DIU hormonal pode também diminuir cólicas e o volume de sangramento menstrual.
Quando falamos em riscos e efeitos colaterais devemos considerar alguns pontos. O DIU pode sair do lugar e ser expelido do útero, evento que ocorre com 5% das usuárias no primeiro ano de uso do dispositivo. Outras complicações como infecções ou lesão da parede uterina podem ocorrer, mas são raras.
Como efeitos colaterais, o DIU hormonal pode levar a sangramento de escape e sangramentos irregulares, durante os primeiros 3 a 6 meses do uso. Outros efeitos que podem estar presentes são dores de cabeça, náuseas, depressão e sensibilidade nas mamas. O DIU de cobre pode aumentar cólicas e fluxo menstrual, majoritariamente nos primeiros meses de uso. É esperado que esses efeitos diminuam após o primeiro ano da inserção.

Implante contraceptivo
O implante contraceptivo é uma haste flexível cilíndrica que é posicionada abaixo da pele, na região do braço. Esse dispositivo libera uma quantidade de progesterona que atua na ovulação e pode ser mantido abaixo da pele por até 3 anos. O implante pode ser inserido imediatamente após o parto vaginal ou cesariana.
O implante, assim como o DIU, não interfere na vida sexual e nas atividades diárias e quase todas as mulheres estão aptas ao uso do método. No entanto, esse método pode levar a sangramentos inesperados e aumento no fluxo, volume ou duração do período menstrual. Algumas usuárias podem experimentar sangramentos durante os ciclos. Outros efeitos colaterais comuns incluem alterações de humor, dores de cabeça, depressão e acne.

Injeção anticoncepcional
A injeção anticoncepcional contem, em sua maioria, um tipo de progestágeno chamado de acetato de medroxiprogesterona, que atua prevenindo a ovulação. As injeções são administradas a cada 3 meses sendo que a primeira injeção pode ser feita imediatamente após o parto. As injeções também não interferem na atividade sexual e diária e quase todas as mulheres são elegíveis para o método.
Dentro das desvantagens do método, algumas mulheres podem apresentar perda óssea durante o uso das injeções. Caso o método seja cessado, a maioria das mulheres consegue recuperar a massa óssea perdida. Além disso, as injeções não estão indicadas a portadoras de múltiplos fatores de risco para doença cardiovascular. Sangramentos irregulares, dores de cabeça e ganho de peso discreto também podem estar presentes.
Métodos hormonais combinados
As pílulas, o anel vaginal e o adesivo anticoncepcional são formas de anticoncepcionais que contem estrógeno e progesterona. Atuam basicamente prevenindo a ovulação. dependendo do método a mulher deve estar atenta em tomar a pílula diariamente, inserir o anel vaginal a cada 21 dias e aplicar o adesivo na pele a cada 3 semanas. Esses métodos podem ajudar a tornar os ciclos mais regulares e mais curtos, bem como diminuir as cólicas, reduzir acne, enxaquecas e crescimento de pelos indesejado.
Apesar dos diversos benefícios, quando consideramos as mulheres no puerpério, existe um risco aumentado para a formação de trombos nas veias profundas, fenômeno chamado de trombose venosa profunda (TVP). Os métodos combinados, por possuírem estrógeno, podem aumentar as chances de TVP, então, é recomendado que se espere cerca de 3 semanas após o parto para iniciar o uso.
Além disso, existe um pequeno risco de que o estrógeno presente nesses métodos afete as reservas de leite durante a amamentação. Por isso, é interessante evitar esses métodos pelas primeiras 4 a 6 semanas de início do aleitamento.
Por fim, esses métodos foram relacionados a um risco pequeno de acidente vascular cerebral e infartos. Dessa forma, não estão indicados em mulheres com mais de 35 anos e tabagistas; hipertensas ou com histórico de AVC, infarto ou TVP; história de enxaquecas com aura; câncer de mama ou história familiar desse câncer ou ainda em algumas doenças especificas.
Minipílula ou pílula de progesterona
As minipílulas são anticoncepcionais orais contendo apenas progesterona, que impede a fertilização do ovulo pelo esperma. Devem ser tomadas sempre no mesmo horário, diariamente. Em caso de esquecimento maior que 3 horas, é recomendado associar um outro método contraceptivo nas próximas 48 horas como forma de prevenção. Essas pílulas podem reduzir o sangramento menstrual ou cessarem a menstruação como um todo. Assim como os outros métodos que contêm apenas progesterona, alguns efeitos colaterais podem estar presentes.
Métodos de barreira
Os métodos de barreira impedem que o esperma chegue até o ovulo e são eles os espermicidas, camisinhas feminina e masculina, diafragma, capuz cervical e esponja contraceptiva. Os três últimos métodos podem ser usados a partir de 6 semanas após o parto, quando é esperado que o útero e cérvice tenham retornado ao seu tamanho normal.

Métodos cirúrgicos
Por fim, temos os métodos cirúrgicos que são formas permanentes de evitar a gravidez. No caso das mulheres, o método é chamado de ligadura tubária e durante o procedimento as tubas uterinas são ligadas ou removidas. Por ser um método permanente, após o procedimento, não é necessário associar outros métodos contraceptivos para evitar a gestação. No entanto, por esse mesmo motivo, a mulher deve estar certa de sua escolha. Além disso, há um pequeno risco de infecção e sangramentos, considerando que é um procedimento cirúrgico.

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