Dor na relação sexual é normal? Muitas mulheres já vivenciaram uma relação sexual com dores, principalmente nas suas primeiras vezes. Entretanto, existem mulheres que sentem dor na relação depois de meses ou anos de vida sexual!
Um grande problema é pensar: “ah! Dói só no comecinho e depois passa”.
Esse é o pensamento de várias pessoas, mas está totalmente equivocado!
A relação sexual NÃO é para ter dores, nem só um pouquinho, nem só no comecinho, muito menos durante e depois. Relação sexual é para o PRAZER!
Se você faz parte desse grupo de mulheres ou conhece uma nessa situação, continue lendo o texto para tentar identificar o que está acontecendo.
Dor na relação sexual e a musculatura do assoalho pélvico
O tipo de fibra muscular dos músculos vaginais é o mesmo tipo dos músculos das coxas, dos braços, do tronco, ou seja, é uma fibra muscular que se contrai se nós quisermos e quando estamos tensos, ansiosos ou nervosos, a musculatura se contrai também.
Pensemos nos trapézios, aqueles músculos que ligam o pescoço aos ombros. Você já reparou que quando está nervoso ou preocupado, esses músculos se contraem e até doem? E já notou também que eles ficam duros, parecendo até que tem uma bola neles?
Pois bem, o mesmo acontece com a musculatura vaginal. Ao menor sinal de tensão, medo, dor, pavor, a musculatura se contrai, ficando “dura” e podendo formar essas bolinhas, os chamados trigger points.
Dor na relação sexual e os trigger points
Uma musculatura constantemente “com medo” e com trigger points vai ficando tensa, dura e essas características não permitem um distensibilidade muscular que permita uma penetração, causando muita dor e, às vezes, impedindo a continuidade da relação sexual. Os músculos também sofrem interferência do tecido miofascial.
Esse tecido é aquela película brilhante que tem em cima de uma carne bovina. Sabe qual? O tecido miofascial recobre todos os músculos do corpo e uma fáscia se conecta com a outra. Agora imagine: nossa pele é uma só, certo? Toda contínua.
O tecido miofascial se conecta e é como se fosse um só também (só para conseguirmos fazer essa associação). Pense então em um vestido. Que é contínuo no seu comprimento todo. Se você puxa a alça do vestido, a barra dele vai se levantar, certo?
Ou seja, se você tem uma tensão nos ombros, essa tensão “repuxa” o tecido miofascial corporal e chega também nos músculos vaginais. Ao tratar uma disfunção sexual, temos de tratar o corpo como um todo.
Dor na relação sexual e as questões emocionais
Além da questão física, existe a questão psicológica, pois a mulher que sente dor, sempre pensa nela quando vai ter uma relação sexual. Ela lembra que dói ou lembra qual foi o evento desencadeador da dor e nisso o ciclo continua, levando a mulher a um processo mais e mais difícil de enfrentar. Um acompanhamento com um psicólogo pode ser muito benéfico também.
Dor na relação sexual: Dispareunia
DISPAREUNIA é o conceito para qualquer tipo de dor que acontece durante a relação sexual.
Pode ser na entrada da vagina, dentro do canal vaginal, pode acontecer no momento da penetração, durante a relação ou depois.
Normalmente as mulheres conseguem manter e finalizar a relação sexual apesar da dor ou desconforto. A dispareunia, popularmente falando, é o primeiro nível dos sintomas, sendo assim, de fácil resolução. Na maioria das vezes, os músculos vaginais das mulheres com dispareunia são tensos, não sabem relaxar e o fator psicológico da mulher também conta bastante.
O tratamento, muitas vezes, baseia-se em reeducação muscular (correção do tônus muscular), eliminação dos pontos de dor (os trigger points) tanto vaginais quanto corporais (lembram-se do tecido miofascial que descrevemos acima?), melhora da sensibilidade local e readequação postural durante a prática da relação sexual.
Se não tratada, ela pode se agravar e se tornar um vaginismo, por exemplo.
Dor na relação sexual: Vaginismo
VAGINISMO é definido como a CONTRAÇÃO INVOLUNTÁRIA DOS MÚSCULOS VAGINAIS, principalmente ANTES E/OU DURANTE a relação sexual DIFICULTANDO-A ou até mesmo IMPEDINDO-A de acontecer.
O vaginismo pode ter duas causas: a PRIMÁRIA que não há uma explicação bem definida sobre o porquê do desenvolvimento dele e a SECUNDÁRIA, onde a mulher tinha uma vida sexual normal, mas depois de um evento traumático (seja ele sexual ou não), a musculatura começou a apresentar essas contrações involuntárias.
À palpação, os músculos apresentam uma tensão tão grande que, em alguns casos, o toque é parecido com o tocar em uma madeira (sendo que o normal do toque é se assemelhar à textura da bochecha).
Para as mulheres com vaginismo, o tratamento consiste em, primeiramente, correção da sensibilidade dos músculos – reeducá-los que o toque da mão, do pênis ou de outro artifício é somente um toque que não gera dor – e também a mobilização dos tecidos miofasciais que têm impacto direto nos músculos do assoalho pélvico.
Assim que a mulher vai tomando consciência que os toques na vulva e na vagina não são para provocar dor, o tratamento se avança com a eliminação dos trigger points na entrada e dentro do canal vaginal.
Dor durante a relação sexual: 10 dicas para evitar este problema!
Dor na relação sexual: Vulvodínea
VULVODÍNEA é um desconforto na VULVA descrito como dores em QUEIMAÇÃO na ausência de achados visíveis relevantes ou disfunção neurológica específica.
Ou seja, a vulva (“a parte de fora da vagina”) fica hipersensível, seja quando tocada ou não. É mais um tratamento que se faz reeducando a sensibilidade da região, regulação do tônus e tecidos próximos e eliminação dos trigger points.
Essas são as formas mais comuns de disfunções sexuais que a população feminina apresenta.
Se você tem dor na relação sexual, agende com um ginecologista da nossa equipe. Inicie agora seu tratamento!