Microbiota intestinal: moda ou nova realidade?

microbiota intestinal gravidez capa instituto villamil

Muito se fala à respeito do papel da microbiota intestinal na saúde das mulheres, na gestação e na sua relação com a saúde do bebê. O que se sabe até hoje? Qual a sua importância? Venha saber mais sobre a microbiota intestinal!

Afinal, o que é microbiota?

Microbiota é o conjunto de bactérias, vírus, fungos e protozoários que vivem dentro do intestino humano, de forma harmônica. A microbiota corresponde cerca de 1 a 2kg do corpo de um adulto e, por ter tantas funções, pode ser considerada um “órgão virtual”.

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Estudos têm demostrado que a microbiota segue um padrão comunitário. Dessa forma, etnias diferentes apresentam padrões de microbiotas diferentes. Dentre os principais microrganismos da microbiota intestinal humana estão as bactérias, sendo as mais estudadas: Firmicutes, Lactobacillus, Bifidobacterium e as Bacteroides.

microbiota intestinal
A microbiota intestinal é composta por uma série de microrganismos que auxiliam na manutenção do equilíbrio e do sistema imune.

E por que a microbiota tem sido tão falada e é tão importante?

Os microrganismos da microbiota contribuem para a biossíntese de vitaminas e aminoácidos essenciais. Além disso, são responsáveis pela geração de importantes subprodutos e metabólitos da dieta que não foram digeridos pelo intestino delgado. Destes subprodutos, o principal deles, conhecido como butirato, é a maior fonte de energia das próprias célula intestinais. Assim, as células intestinais conseguem cumprir a sua função de proteção contra a entrada de microrganismos causadores de doenças, além da imunidade local e sistêmica.

Ademais, os estudos têm demonstrado também o papel da microbiota na regulação do sistema nervoso, através do eixo microbiota-intestino-cérebro, e na produção de uma série de hormônios. Já parou para pensar como ficamos de mau humor quando o intestino não esta funcionando bem? Ou como algumas situações de ansiedade podem cursar com diarreias súbitas? Isso acontece porque a principal produção de serotonina do nosso corpo acontece através da nossa microbiota!

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Além do funcionamento normal do corpo, a microbiota pode estar relacionada com a ocorrência de doenças?

Já existem evidências científicas que comprovam que algumas doenças têm padrões de microbiota semelhantes, e que esse fato poderia ser uma das causas ou apenas consequência dessas doenças.

Já foi comprovado que a microbiota intestinal tem importante papel na modulação do risco de doenças crônicas. Como exemplo, estão a obesidade, o diabetes mellitus tipo 2, as doenças cardiovasculares e até mesmo o câncer. Além disso, sabe-se também que a microbiota está associada às doenças metabólicas, doenças autoimunes e até mesmo na susceptibilidade às infecções.

microbiota intestinal
Estudos científicos têm mostrado a influência da microbiota intestinal na ocorrência de doenças crônicas.

E em relação às tentantes e gestantes?

A microbiota tem papel importante na saúde materna e na incidência de doenças crônicas que terão influência importante durante toda a gestação e vida do bebê. Mesmo antes da concepção, a microbiota já é importante. Os estudos têm mostrado a relação entre a fertilidade e a microbiota, porém ainda não capazes de determinar se o padrão de microbiota das mulheres com infertilidade é causa ou consequência da mesma.

Entre elas, podemos citar o diabetes gestacional, condição cada vez mais frequente nas gestações. Além do prejuízo materno, com maior risco de hipertensão associada, polidrâmnio, pré-eclâmpsia e até mesmo morte materna, o diabetes gestacional ainda causa riscos significativos para o bebê. Dessa forma, os recém-nascidos de mães com diabetes gestacional tem maior risco de defeitos congênitos, alterações respiratórias e complicações como a hipoglicemia neonatal. E a associação entre o diabetes gestacional e a microbiota está em alguns estudos que falam a favor do benefício do uso de probióticos em fases precoces da gestação, levando à uma redução das taxas de diabetes gestacional.

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microbiota intestinal
Na gravidez, a microbiota intestinal pode ter vários papéis, muitos deles relacionados com a ocorrência de doenças crônicas.

A literatura mostra como a microbiota tem impacto também na ansiedade e na depressão através do eixo microbiota-intestino-cérebro. Sabe-se que a prevalência da depressão materna varia entre 10 a 15%. Somando-se aos efeitos adversos nas interações mãe-bebê, a depressão materna pode afetar de forma negativa aspectos psicológicos da criança e levar à vulnerabilidade infantil. Nesse ponto, são crescentes os estudos que abordam o uso de probióticos na gestação com o objetivo de reduzir o risco de depressão e suas consequências para a saúde mental dos bebês.

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E em relação aos bebês, qual o papel da microbiota?

Antigamente acreditava-se que o intestino do feto era estéril, e que a sua colonização acontecia a partir do parto. Entretanto, estudos recentes têm demonstrado que a colonização intestinal já acontece na vida intrauterina. Por isso é tão importante cuidar da microbiota das gestantes.

Parto e microbioma: qual a relação?

A via de parto, a amamentação, o contato pele a pele, e até mesmo os carinhos recebidos pelo bebê nos primeiros 6 meses de vida serão essenciais para a sua colonização intestinal e formação da sua microbiota. Assim, a suplementação com probióticos é benéfica quando iniciada nas fases iniciais da gestação, de 14 a 16 semanas e continuada até os 6 meses após o parto. A suplementação deve ser precoce para que o feto inicie a produção de IgE, importante imunoglobulina associada a processos alérgicos.

Embora os estudos iniciais sejam promissores, ainda não existem pesquisas com nível de evidência suficiente que comprovem que o uso de probióticos seja benéfico e mude a historia natural dessas doenças. A dieta é o principal modulador da microbiota e, uma alteração importante da dieta, já causa alterações significativas da microbiota em cerca de 24 horas.

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Sabe-se também que a amamentação é associada com uma diversidade maior da microbiota intestinal infantil, sendo até mesmo mais importante do que a alimentação materna durante a gestação. Algumas espécies de microrganismos tem transferência da mãe para o bebê, por isso o aleitamento e a microbiota materna são tão importantes.

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O aleitamento materno é uma fonte importante de uma série de nutrientes para o bebê, e está relacionado também a formação de uma microbiota intestinal adequada.

E sobre a relação entre microbiota e parto?

Outro ponto importante em relação à microbiota do bebê é a via de parto. A microbiota dos bebês nascidos de parto vaginal tem maior diversidade do que a dos bebês nascidos de cesariana. A suplementação com probióticos também é benéfica para a modulação da flora vaginal da gestante. Com isso, há uma redução do risco de crescimento de agentes patógenos que, além da transmissão vertical (mãe para o bebê), podem causar infecções vaginais e urinárias na mãe, levando ao aumento do uso de antibióticos na gestação. Estudos clínicos importantes mostraram que a suplementação com uso de probióticos, durante a gestação e a amamentação, foi eficaz em reduzir a incidência de eczemas em crianças até os 6 anos.

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A via de parto é importante para a transmissão de uma série de microrganismos da microbiota da mãe para a o bebê. Nesse caso, o parto vaginal é mais vantajoso.

Portanto…

O futuro é promissor e os estudos tem como objetivo avaliar se uma modulação da microbiota com exames, medicamentos e dieta direcionada, poderiam alterar o risco de doenças tanto na mãe quanto no bebê. Fato é que a saúde do intestino tem sido cada mais importante tanto na saúde da mulher, quanto da gestante e, consequentemente, do bebê. E você? Tem cuidado da saúde do seu intestino?

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