Natália e João: A regra aqui é ser feliz

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Relato de parto escrito pelo papai Thiago.É meu filho, e lá se vai 01 ano de vida. Na verdade, todo o processo para sua chegada começou no dia 25/04/2019.Na manhã deste dia, já ansiosos para a sua chegada, sua mãe acordou sentindo algumas contrações e eu, o seu pai, apesar de já ter lido bastante a respeito e, sabendo que não vem assim de uma hora pra outra, já fiquei desesperado querendo ir para BH, onde você nasceria. Sua mãe me acalmou, falando que estava tudo bem e que eu deveria ir trabalhar normalmente que qualquer coisa ela me ligaria na hora. Nem precisa falar como foi este dia né? Trabalhando de 07:30 às 15:30, mas com a “cabeça em casa”, pensando em como você e sua mão estariam.Bom, passado o dia e chegando em casa, decidimos ir para BH, pensando que você poderia chegar na próxima madrugada. No caminho fomos ouvindo diversas vezes, várias versões de uma mesma canção, para usar na filmagem que faríamos de você chegando para nós (I was born to love you – Queen). Não posso deixar de comentar aqui o ótimo local que conseguimos para ficar enquanto você não decidia chegar. A Gleisy e o Fábio, amigos nossos (que com certeza você conhece), coincidentemente, estariam de férias por 1 mês na Europa, justo na época prevista para seu nascimento. Assim, eles ofereceram o apartamento deles para nós, emprestado durante todo o tempo da viagem. E que apartamento! Muito bem localizado, perto de tudo e, principalmente, pertinho do Mater Dei, onde planejamos te receber. Fomos “recebidos” com mimos e uma cartinha que até hoje está no mural do seu quarto (Bem vindos ao Air Bi and Bi. A regra aqui é ser feliz! Viva João!!!) Bom, passada a primeira madrugada, nada de você querer nascer. Estava só mesmo brincando com a gente e nos deixando cada vez mais ansiosos. Já havíamos ligado para a Lena Bezerra, que seria a sua doula e ela disse que era assim mesmo e que deveríamos aproveitar o momento, curtir um pouco, passear (ah, nesta época era possível isto, diferente de hoje no seu aniversário de 01 ano, quando estamos enfrentando a quarentena do COVID 19 – Corona Vírus) e esquecer que estávamos em trabalho de parto, pois isto ajudaria a reduzir a ansiedade, fazendo com que você chegasse o quanto antes. Fizemos tudo isto, fomos à Praça da Liberdade; CCBB; almoçamos em um restaurante muito gostosinho, com direito até a uma taça de vinho e uma cervejinha; cinema no Belas Artes, onde assistimos O Tradutor, um filme um pouco pesado para o momento, mas que na verdade quem assistiu deve ter sido quase que só eu, sua mãe só queria saber de dormir. Fizemos tudo para dar uma relaxada e nada! Nada de você chegar ao mundo, hehe! Escrevendo agora, me volta tudo à mente e fico pensando o quanto foi bom aquele tempo de espera, imaginando como você seria, como viria ao mundo, o quanto mudaria as nossas vidas, quanta alegria traria, … É, esta noite já foi bem mais pesada. Se na primeira quase não dormimos devido contrações, nesta bem dizer não pregamos os olhos. Você não parava de mexer, de “tentar” vir ao mundo, mas ainda não era hora. Durante este tempo ficamos no apartamento, utilizando muito o TENS (um aparelhinho que ficava dando choques bem leves em sua mãe, meio que duelando com a dor/incomodo das contrações) e a bola azul de Pilates, onde sua mãe conseguia a melhor posição possível para dar uma descansada entre contrações (temos muito que agradecer também à Poliana, nossa professora de Pilates que nos emprestou tanto a bola quanto o TENS). E eu ficava ali, ora medindo os tempos entre as contrações, através de um aplicativo do celular, ora fazendo massagens (sim, massagens). Entre os cursos que fizemos esperando a sua hora, aprendemos técnicas de relaxamento, ora contando histórias, ora deixando em silêncio para descansar. E assim passamos mais uma noite. No sábado pela manhã, ligamos mais uma vez para a Lena, que mais uma vez nos disse o que??? “Vão relaxar, pegar uma piscininha, um clube…” Já estávamos meio que até achando ruim, querendo uma avaliação, mas decidimos confiar nela, uma vez que era uma ótima doula, pulso firme, com um “data doula” todo atualizado dos inúmeros partos realizados, muito competente e super responsável, que saberíamos que não nos deixaria na mão. Assim fizemos, ou melhor tentamos fazer. Fomos para a Savassi dar uma volta, ver o movimento da rua, com intuito de dar uma espairecida na mente, mas, a cada 10 passos tínhamos que parar para mais uma contração. Sua mãe parava, agarrava meus braços de forma bem forte no meio da rua e, após alguns segundos, largava para continuarmos nossa “caminhada”. Estava até engraçado este passeio, andava um pouco e parava, andava, parava. Encontramos a esposa do chefe da sua mãe na rua, começamos a conversar, ela perguntando sobre você, pra quando seria, e nós doidos para ela sair rápido e não notar que já estávamos em trabalho de parto (detalhe, até então, ninguém além da doula e da Dra. Quésia sabiam que você estava pra chegar a qualquer momento. Nem suas avós, tios e tias). E assim foi por pouco tempo, até que sua mãe não aguentando mais ficar de pé, pediu para voltar para o apartamento. “Abandonei” ela em plena Savassi e fui buscar o carro. Não é que nesta hora sua mãe tem uma contração daquelas e, sem eu do lado, é ajudada por duas funcionárias de uma loja, que, assustadas, ficaram perguntando se era contração de treinamento, hehe (depois sua mãe te explica as diferenças). De volta ao apartamento, retornamos à rotina TENS – Bola de Pilates – TV – Massagem – TENS – Bola de Pilates – TV. Neste meio tempo, comecei a medir a frequência entre as contrações e, sem avisar a sua mãe, já estava notando que elas estavam em um intervalo mais curto, o que indicava que a hora estava chegando. Por volta das 21:00 e, sua mãe já não aguentando mais, começamos os contatos com a Lena (Doula), Adrinez (seria a enfermeira, mas acabou não podendo ir de última hora, mandando a Lili em seu lugar. Que troca! Foi excelente! TINHA que ser a Lili mesma. Foi ótima em tudo), Dra. Quésia e Andressa da Felice, que foi a responsável por eternizar em vídeo este momento tão especial. Eram umas 23:00 quando o interfone do apartamento tocou e era a Lili para fazer a primeira avaliação. Não imagina o quanto ficamos assustados quando ela informou que sua mãe estava com 8 cm de dilatação (o máximo é 10 cm). Na hora sua mãe disse “Eu sabia! Não tinha como estar este tempo todo em trabalho de parto e não ter evoluído tanto”. Neste momento, ligamos para suas avós e tios, avisando que a hora estava chegando, pegamos as malas, lotamos o carro e fomos direto para o Mater Dei. Isto já era umas 00:00. Acabamos sendo os últimos a chegar. Isto porque, pela situação dos 08 cm de dilatação, todos pensavam que o nascimento seria muito rápido. Enquanto fui estacionar o carro e descer com as malas, Andressa já estava filmando sua mãe chegando no hospital coma Lili e com a Lena e a Dra. Quésia já estava dando uma adiantada na burocracia para internação. Quando finalmente cheguei no hospital, a Dra. Quésia me deixou continuando com as burocracias e foi para o quarto acompanhar sua mãe. Não imagina como fiquei ali naquela recepção, imaginando que você já poderia estar nascendo enquanto eu estava dando entrada na internação. Ledo engano, rs! Após uns 20 minutos, que pareceram uma eternidade, cheguei na suíte PPP, onde teríamos seu parto. Até estranhei ver a Dra. Quésia do lado de fora do quarto. Pensei, “como assim, nosso filho pra nascer e ela aqui do lado de fora mexendo no computador”. Na verdade, quem fazia todo o trabalho era você. Você que saberia a melhor hora para vir ao mundo. Toda a equipe estava lá apenas para poder auxiliar e efetuar alguma intervenção caso necessário. Quando entrei no quarto, estavam sua mãe, Lena e Lili, acompanhando as contrações, fazendo massagens e conversando, soltando frases para incentivar e aliviar as dores e incômodos que sua mãe sentia naquela hora e já ouvindo uma das duas playlists que sua mãe e eu preparamos para este momento. Na verdade, cada playlist deve ter tocado umas 02 vezes até você decidir chegar para nós. Me sentia um total inútil, sem ter o que fazer para te trazer para este mundo. Ficava andando de um lado para o outro, observava sua mãe tendo as contrações, às vezes fazia uma massagem, fazia ela rir um pouco, pegava e apertava a mão dela, para saber que estava ali do lado e que em breve teríamos nosso filho em nossos braços. Chegaram com uma piscina inflável, encheram com uma água bem quentinha e sua mãe pulou pra dentro, para ver se aliviava e, quem sabe, você não nascia dentro d’água. Nada! Sua mãe até disse que relaxava um pouco, mas não se sentia tão confortável ali dentro. Para surpresa de todos, a melhor posição era encaixada entre os marcos da porta do banheiro. Ninguém nunca tinha visto isto e ficavam lá falando que cada mãe é diferente mesmo, que cada uma consegue relaxar/ficar confortável de uma forma.Já havia passado umas 03 horas quando Dra. Quésia entrou novamente no quarto e conversando com sua mãe decidiu fazer mais uma avaliação da dilatação. Constatou que não estava evoluindo muito, mas neste momento a bolsa arrebentou. Esperamos mais algum tempo, com sua mãe agachando, sentando, entrando na piscina, indo diversas vezes para o marco da porta quando novamente a Dra. Quésia conversa conosco e explica que a sua cabeça estava um pouco de lado e por isso não estava evoluindo tanto a dilatação. Nos explicou que havia uma manobra que os médicos fazem que poderia ajudar nestas situações. Após constatarmos que não havia risco algum nem para você nem para sua mãe, aceitamos e, em menos de 1 minuto ela conseguiu posicionar melhor sua cabeça.Após este momento, tudo mudou. As contrações começaram a vir de forma mais ritmada e intensa e sabíamos que em breve você chegaria. Nisto chega uma segunda médica da equipe, Dra. Renata, para também acompanhar sua chegada neste mundo. Sua mãe começou a fazer mais força, ora segurando nas barras para apoio ora no marco da porta. Em determinado momento, pressentindo que estava pra chegar, passou para a banqueta de parto. Neste momento, eu estava sentado atrás dela, apoiando, falando palavras de conforto e de incentivo, e, na nossa frente, sentadas no chão, estavam a Lena e a Lili e a Dra. Quésia e Dra. Renata acompanhavam de longe. A Andressa, que estava filmando o parto, quase não aparecia, mas estava lá, registrando tudo deste momento lindo e mágico. Sua mãe fazia força, a enfermeira acompanhava as batidas de seu coraçãozinho e a Lena ajudava com palavras e técnicas aprendidas durante todos os anos de experiência. E eu continuava lá, atrás de sua mãe, de frente para todo mundo e observando a fisionomia de cada uma daquelas pessoas, tentando ler e entender o que passava em cada uma daquelas cabeças, principalmente quando uma olhava para a outra. Nestes momentos, elas, que já trabalhavam juntas há tanto tempo, se comunicavam apenas com o olhar. Em vão, eu tentava entender estas comunicações. Sua mãe estava totalmente entregue ao parto, muito forte e determinada.

      No meio deste turbilhão de emoções, vejo uma pessoa do hospital entrando no quarto com uma bandeja metálica cheia de instrumentos e com uma seringa com agulha. Não tinha reparado que a Dra. Quésia tinha saído do quarto e, ela que até então vestia roupas normais, retornara para o quarto, de jaleco, touca e máscara. Na hora assustei, pensando que alguma coisa estava dando errado. Você não tem ideia do tanto de coisas que passaram na minha cabeça neste momento. Adrenalina subiu mais ainda, olhando aquela situação, mas não podia perder o foco. Agarrei mais na sua mãe, a doula e enfermeira olhando uma para a outra o tempo todo, medindo os batimentos e a Lena não parava de falar com sua mãe “Respira fundo, concentra, faz força. Respira que é disto que seu filho precisa agora”. Do nada, ouço alguém dizer, “oh, ele é bem cabeludinho!”. Fiquei quase que sem respiração naquele momento. Emoção muito grande. E sua mãe, reagiu àquela frase, fazendo mais forças e respirando cada vez mais. Na próxima segunda ou terceira contração, você chegou, às 06:24, com 50 cm e 3,025 Kg. Deu uma engasgada – São Brás – e soltou um choro forte e alto, de um menino super saudável que havia acabado de nascer.

Obrigado por tudo meu Filho! Itaúna, 28 de abril de 2020

Assista o vídeo desse emocionante parto:
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