7 mitos sobre o parto normal

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Você sabia que nem tudo o que é falado sobre o parto normal é verdade? Continue lendo e conheça alguns mitos sobre o parto normal. 

A gravidez é um momento da vida da mulher cercado de mudanças físicas e emocionais, e na mesma proporção em que cresce a barriga crescem as dúvidas da futura mamãe. Associado à esse processo, também surgem as mais variadas fontes de informação, que vão dos futuros avós, amigas, colegas de trabalho e até mesmo desconhecidos! Dentro de tudo isso, o parto é o assunto que mais se envolve de dúvidas, medos e tabus.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país no mundo com a maior taxa de cesáreas, perdendo apenas para a República Dominicana. Ainda há no Brasil um forte incentivo para a realização de cesáreas mesmo sem indicação médica, e os motivos para essa constatação são vários.

Por isso, para as grávidas que desejam um parto normal, é importante munir-se de informação, para que os mitos que envolvem essa escolha não tomem conta da cabeça e tirem o sono da gestante e futura parturiente. Venha se informar com a gente!

 

parto-normal-instituto-villamil-2A gravidez é uma fase cheia de dúvidas e questionamentos! E o parto é um dos principais assuntos envolvidos nas conversas.

1) Todo parto normal é humanizado

Nem todo parto normal é humanizado. O movimento pelo parto humanizado não está diretamente relacionado à um tipo de parto específico. Dessa forma, tanto partos que acontecem por via vaginal quanto partos cesáreos podem ser humanizados. Humanizar significa respeitar a mulher, suas escolhas e o seu filho que irá nascer, com decisões baseadas nas evidências científicas.

Por isso, partos normais podem fugir completamente do conceito da humanização. Como exemplo, podemos falar de partos que são cheios das várias formas de violência obstétrica, como a manobra de Kristeller e a limitação dos movimentos da parturiente durante o trabalho de parto e parto. Da mesma forma, cesarianas podem ser humanizadas quando bem indicadas, quando se espera o trabalho de parto começar e quando se estimula o contato da mãe com o bebê logo após o nascimento.

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2) Bebê com cordão umbilical enrolado no pescoço não pode nascer de parto normal

Ao contrário do que a maioria das pessoas fala, o cordão umbilical não pode enforcar o bebê. Ele possui uma consistência gelatinosa e pode ter diferentes comprimentos. Ao longo da gestação, o cordão pode se enrolar e desenrolar em várias partes do corpo bebê, inclusive dando mais de uma volta.

Na maioria dos casos, a circular de cordão não influencia em nada no parto normal. Assim, o que vai demonstrar para a equipe que assiste ao parto que está tudo bem com o bebê é o acompanhamento dos batimentos cardíacos do bebê, auscultados com o uso do sonar. Eventualmente, quando se desconfia de que algo não esteja bem ou quando é necessária uma avaliação mais rigorosa pode ser feita uma cardiotocografia.

Portanto, circular de cordão não é indicação de cesárea. A mulher que tem um bebê com circular de cordão pode entrar em trabalho de parto normalmente. Dessa forma, no nascimento, caso o bebê tenha mesmo a circular de cordão, ela pode ser facilmente desfeita pelos profissionais de saúde que acompanham o nascimento.

parto-normal-instituto-villamil-4Cordão enrolado no pescoço não é indicação de cesárea! Foto: Daniela Djean

3) Todo parto normal vem acompanhado de episiotomia

A episiotomia é um corte feito na região do períneo, que era realizado com o objetivo de aumentar o canal de parto, encurtar o período expulsivo e facilitar o nascimento do bebê. Além disso, acreditava-se também que a episiotomia poderia diminuir as possíveis lacerações graves no canal de parto. Porém, ao longo do tempo foram feitos estudos que demonstraram que a episiotomia não deve ser feita de rotina, ou seja, em todas as mulheres.

Hoje em dia, sabe-se que são poucas as indicações reais para sua realização, sendo que alguns médicos defendem que ela não seja feita em situação alguma. Em relação às lacerações que podem ocorrer durante o nascimento, a maioria delas, quando acontece naturalmente, é menos lesiva que a feita pelo médico durante a episiotomia.

4) Parto normal deixa a vagina larga

Um outro grande mito relacionado ao parto normal. A vagina, canal por onde passa o bebê, é um músculo grande e forte, e tem a capacidade de relaxar ou contrair. Assim, ela aumenta de tamanho para o bebê nascer, mas volta ao seu normal ou muito próximo do tamanho normal após o parto.

Inclusive, para muitas mulheres a vivência do parto aumenta a consciência corporal e pode melhorar e muito a vivência sexual com seu parceiro (a).

Porém, mesmo com todas essas informações sabemos que esse ainda é um medo de muitas mulheres. Por isso, é importante ressaltar que a melhor forma de prevenir uma frouxidão da vagina no pós-parto é a fisioterapia pélvica, com exercícios que podem ser feitos durante a gestação.

5) Bebê grande e pesado não pode nascer de parto normal

Outro mito relacionado ao parto normal muito difundido. A ideia é de que um bebê grande consequentemente teria uma cabeça grande e não passaria pelo canal de parto.

Porém, somente o peso e o tamanho estimados de um bebê não são indicações suficientes para uma cesárea eletiva. Embora sejam cada vez mais desenvolvidos, os exames de ultrassom não consegue apurar com exatidão o tamanho do bebê. Dessa forma, sempre terá uma margem de erro.

Além do que, o simples fato de ser um bebê grande não significa que o bebê não possa nascer pela vagina. Os mesmos 10 cm necessários para o nascimento de um bebê de 3kg são necessários para o nascimento de um bebê de 4kg ou até mais.

Essa desproporção entre a cabeça do bebê e a pelve materna pode até acontecer, mas em poucos casos. E só será possível dizer que ela existe durante o trabalho de parto e não antes.

parto-normal-instituto-villamil-5Bebês grandes podem nascer de parto normal!

6) Uma vez cesárea, sempre cesárea!

Este também é um grande mito que tem sido cada vez mais quebrado pelas mulheres que conseguem parir depois de uma cesárea. Neste caso, os partos são conhecidos por uma sigla: VBAC – Vaginal Birth After Cesarean ou partos vaginais após uma cesárea.

O que se acreditava antigamente é que uma cicatriz uterina prévia poderia aumentar muito o risco de uma rotura uterina, a ponto de contraindicar um parto normal. E essa crença está relacionada ao fato de que antes, as cesáreas eram feitas com cortes verticais, que realmente estão associados à esse risco maior. Porém, com a evolução da obstetrícia, a maioria das cesáreas são feitas atualmente com um corte horizontal, que não se associa à esse risco aumentado.

Com a publicação de vários estudos científicos, sabe-se que o risco da rotura uterina em mulheres com cesárea prévia é de cerca de 0,1 a 0,6%. Para pacientes com cesariana prévia, o risco de rotura uterina após uma nova cesárea é maior.

parto-normal-instituto-villamil-6É possível ter um parto normal depois de uma cesárea.

7) Falta de dilatação

Outro mito! Isso porque, na maioria dos casos, o que faltou foi paciência da equipe para que canal de parto dilatasse. Já foi provado que aquela história de esperar uma dilatação de 1 cm por hora não é verdade. Cada mulher tem um tempo diferente!

Pode sim acontecer uma evolução lenta da dilatação, ou uma paciente que dilata alguns centímetros e estaciona por um tempo maior. Na maioria das vezes, quando isso acontece, há alguma interferência externa do ambiente – como muitas luzes, muito barulho ou muitas pessoas acompanhando o parto. Outro motivo que contribui para essa falsa ideia, é o fato de que muitas mulheres acabam chegando cedo demais na maternidade, ainda na fase latente ou mesmo nos pródromos.

 parto-normal-instituto-villamil-7A falta de dilatação muitas vezes é colocada como um mito para o parto normal. Mas para a evolução do parto é preciso esperar, o que não acontece para muitas mulheres.

 

Enfim, são vários os mitos ou ideias antigas que envolvem o nascer por parto normal no Brasil. Nessas situações, o essencial é buscar uma fonte segura para tirar todas as suas dúvidas e assim, garantir uma boa vivência de parto.

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