O que é o Streptococcus do grupo B (SGB)?
O Streptococcus do grupo B, também conhecido porStreptococcus agalactiae, S. agalactiae ou SGB, é uma bactéria que está presente naturalmente no trato gastrointestinal, urinário e na vagina sem que cause qualquer sintoma. É parte da flora do nosso organismo.
No entanto, em alguma situações, essa coloniza o bebê trazendo complicações graves para ele. Por isto várias sociedades internacionais recomendam que as gestantes realizem o exame de cotonete na gravidez.
É importante pontuar que a presença de Streptococcus B nos órgãos sexuais não caracteriza uma DST (Doença Sexualmente Transmissível).
O que significa ser “colonizada” por Streptococcus B?
O Streptococcus B na gestante faz com que ela seja apenas colonizada, quando não apresenta sintomas. Mas a quantidade dessas bactérias presentes numa pessoa muda bastante com o tempo. Ou seja, uma mulher que tem um número grande de bactérias hoje, pode até mesmo não apresentar bactérias depois de meses ou anos.
Por que o Streptococcus B na gestante é uma preocupação?
Na maioria das vezes o Streptococcus B na gestante não traz nenhuma preocupação, porque não traz nenhum problema para a mulher colonizada. Contudo, a grande risco está nos casos em que a mulher que apresenta colonização ao final da gravidez e, durante o parto, ao ser colonizado, o bebê desenvolve infecção Streptococcus B.
Este evento não é comum, ou seja, a maioria dos bebês filhos de mães colonizadas não apresenta a infecção pelo Streptococcus B. A infecção é um quadro bastante raro. Veja no quadro a seguir:
Quais são os sinais e sintomas do bebê com infecção pelo Streotococcus B?
Os principais sintomas no bebê são:
- Febre;
- Problemas respiratórios;
- Instabilidade cardíaca;
- Alterações renais e gastrointestinais;
- Sepse, que corresponde à presença da bactéria na corrente sanguínea, o que é bastante grave;
- Irritabilidade;
- Pneumonia;
- Meningite.
De acordo com a idade em que surgem os sinais e sintomas de infecção por Streptococcus do grupo B no bebê, a infecção pode ser classificada como:
- Precoce, em que os sintomas surgem logo nas primeiras horas após o nascimento;
- Tardia, em eu que os sintomas surgem entre o 8º dia após o nascimento e os 3 meses de vida;
- Muito tardia, que é quando os sintomas aparecem após os 3 meses de vida e está mais relacionada com meningite e sepse.
O que significa “infecção por Streptococcus B de início precoce”?
Infecções precoces são aquelas que ocorrem durante a primeira semana de vida, principalmente nas primeiras 24 a 48 horas de vida do bebê. Ele se infecta ao se deslocar através do canal de parto da mãe, quando ela é colonizada pelo Streptococcus B.
Geralmente essa infecções de início precoce são graves e são principalmente pneumonias, sepse e meningite.
Importante lembrar que >>> NÃO são todos os bebês expostos ao SGB que desenvolvem infecção!!
E “infecção por Streptococcus B de início tardio” ?
Infecções de início tardio são aquelas que se desenvolvem após os primeiros 6 dias de vida. Elas podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante o parto ou podem ser causadas pelo contato com outras pessoas que estão colonizadas pelo Estreptococo B. A infecção tardia também pode levar a meningite e outras doenças, como pneumonia.
Essas infecções podem ser prevenidas em recém-nascidos?
O teste do cotonete no final da gravidez e o tratamento durante o trabalho de parto podem ajudar a prevenir infecções de início precoce. No entanto, não previne infecções de início tardio. É importante reconhecer os sinais e sintomas da infecção por “Strepto B” de início tardio (Que se desenvolvem após 6 dias de vida) no seu bebê:
- Lentidão ou inatividade;
- Irritabilidade;
- Má alimentação;
- Vômito;
- Febre alta.
Se o seu bebê tiver algum destes sinais ou sintomas, entre em contato com seu pediatra imediatamente.

Quando é feito o teste para saber se há colonização de Streptococcus B na gestante?
Para prevenir a infecção por Streptococcus B de início precoce, entre 35 e 37 semanas de gestação, é feito um exame.
As pessoas costumam conhecer o exame de cultura para Streptococcus, como “exame do cotonete”.
Neste teste, são colhidas amostras da vagina e do reto da mulher através de um cotonete. É um procedimento rápido e que não dói. Depois disso, a amostra é enviada para um laboratório onde é cultivada em uma substância especial para que o “Strepto B” cresça, caso ele esteja presente. O resultado é liberado em 48 horas.
Resultado positivo para Streptococcus B na gestante – O que fazer?
Se o resultado do exame for positivo, você receberá antibióticos, geralmente penicilina, durante o trabalho de parto. Isso vai dificultar que o streptococcus B na gestante passe para o bebê. Nesse caso, os antibióticos só funcionam se forem administrados durante o trabalho de parto. Se for dado antes, a bactéria pode voltar e estar presente novamente durante o parto. Além disso, é importante entender que o resultado positivo não é indicação de cesariana, pois o antibiótico durante o trabalho de parto geralmente é suficiente para proteger o bebê da infecção.
E se eu tiver alergia à penicilina?
Se você é alérgico à penicilina, informe o seu médico antes de fazer o teste para o Streptococcus B na gestante. Mulheres com reações alérgicas leves podem tomar outros antibióticos similares à penicilina. Mas caso sua alergia seja grave, daquelas que geram urticária ou anafilaxia, deve-se fazer um antibiograma para descobrir qual outro antibiótico usar para as suas bactérias.
E se o resultado do exame for negativo?
O exame com resultado negativo não dá certeza que você não seja colonizado pelo SGB. Contudo, sendo negativo, não há necessidade de dar antibiótico durante o trabalho de parto, de acordo com evidências científicas. Caso o bebê desenvolva infecção precoce, ele deverá ser avaliado e tratado pela equipe de neonatologia.
É obrigatório fazer o exame de Streptococcus B na gestante?
Como você pôde ver, o resultado desse exame não dá certeza se a mulher pode ou não transmitir a bactéria. Isso ocorre pela variação natural da presença dela no corpo da gestante. Por causa disso, algumas mulheres optam por não fazer o exame e manter o bebê sob maior vigilância nos primeiros dias de vida. Assim, ao invés de prevenir, o bebê receberá tratamento caso apresente alguma infecção. Portanto, existe sim a opção de não fazer. Mas perde-se a oportunidade de prevenir alguma infecção mais séria caso a gestante tivesse um exame com resultado positivo. Além da questão da “escolha”, existem algumas pessoas que não precisam fazer esse exame.
Por que algumas pessoas não precisam fazer o exame do cotonete?
Uma mulher não precisa fazer o exame do cotonete se:
- Já teve um bebê com infecção precoce por Streptococcus B;
- Já teve Streptococcus B em exame de urina durante a gravidez
O exame se torna desnecessário porque entende-se ela como já “colonizada“. Ou seja, já se sabe que existe um grande risco de ela passar essa bactéria para seu bebê durante o parto. Contudo será necessário fazer o tratamento com o antibiótico durante o parto para proteger seu bebê contra essa infecção.
Se eu sou colonizada e usar antibiótico durante o parto então o risco de meu bebê ter infecção é zero?
NÃO. Quando você usa o antibiótico durante o parto o risco diminui, mas não chega a zero. Veja o quadro abaixo:
E se a mulher optar não fizer o exame do cotonete na gravidez?
Em muitos sistemas organizacionais de saúde, públicos e privados, não se realiza o exame de cotonete. Nestes casos, realiza-se o tratamento com antibiótico durante o trabalho de parto, de acordo com a presença de fatores de risco para a infecção pelo Streptococcus do grupo B no bebê. Isto é, quando o risco é grande a mulher receberá o antibiótico.
Estes são os fatores de risco que indicam a necessidade de uso de antibiótico durante o parto, quando não se realiza o exame de cotonete na gravidez: Algumas situações aumentam o risco de transmissão da bactéria da mãe para o bebê, sendo os principais:
- Identificação da bactéria em partos anteriores;
- Ter tido infecção urinária por Streptococcus agalactiae durante a gestação;
- Trabalho de parto antes da 37ª semana de gestação;
- Febre durante o trabalho de parto;
- Ter tido um bebê anterior com sepse por Streptococcus do grupo B.
E se for necessário uma cesárea?
Se a mulher tiver uma cesárea sem trabalho de parto e sem rompimento da bolsa das águas, você não precisa receber antibióticos para o Streptococcus B na gestante.
No entanto, mesmo que você planeje uma cesárea (geralmente feita com 39 semanas de gestação), você também deve fazer o teste entre 35 e 37 semanas. Isso deve ser feito porque você pode entrar em trabalho de parto antes da data marcada pela a cesárea.
Dessa forma, se o resultado do seu teste for positivo, o seu bebê será monitorado quanto à infecção pelo SGB após o nascimento. Fonte: ACOG – Group B Strep and Pregnancy (Streptococcus B na gestante)
Existe algum RISCO em usar o antibiótico durante o trabalho de parto?
Sim, existem riscos.
O principal risco é de que a mulher tenha um choque anafilático, que é uma reação alérgica ao antibiótico.
Entretanto, este evento é muito raro. Uma reação de hipersensibilidade sistêmica ocorre em 1 a 5% dos tratamentos com penicilina.
O choque anafilático acontece em apenas 0,2% dos casos e a taxa de mortalidade é de 0,02% dos casos.
Existe alguma DESVANTAGEM em fazer o exame de Streptococcus B na gestante?
Quando a pesquisa do Streptococcus B na gestante é positiva deve-se usar antibióticos durante o parto para diminuir o risco de infecção grave no recém-nascido. Apesar de haver esta diminuição de risco para o bebê, os antibióticos também irão destruir parte do microbioma materno que estaria sendo passado para o bebê durante o parto.
O microbioma é um conjunto de bactérias boas presentes no organismo dos seres humanos, sendo assim relacionado à uma série de funções de proteção importantes para os indivíduos.
Já é de conhecimento dos cientistas que a administração de antibióticos durante o trabalho de parto pode afetar a colonização bacteriana do recém-nascido, levando à uma redução no microbioma do bebê. Então, a resposta é sim.
Fazer a pesquisa de Streptococcus B na gestante e usar antibióticos para prevenir infecções no bebê não tem apenas benefícios. Também podemos estar criando problemas futuros para o bebê, ao diminuir o tipo de microbioma que ele está recebendo ao nascer.
“MICROBIRTH”: O PARTO e o NASCIMENTO sob a lente de um microscópio
O documentário “MICROBIRTH”: O PARTO e o NASCIMENTO sob a lente de um microscópio aborda o nascimento numa ótica completamente inovadora: por meio da lente do microscópio. Investigando as mais recentes pesquisas científicas, o filme revela que a forma como damos à luz pode impactar a saúde de nossas crianças para o resto da vida. Alguns cientistas de renome lançam agora o alerta: estas mudanças podem vir a ter graves repercussões na nossa saúde futura. “MICROBIRTH” é um documentário de longa-metragem que mostra como a perda do microbioma está relacionado com o surgimento de várias doenças na humanidade.
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