Benefícios e riscos dos antibióticos no parto

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O uso de antibióticos no parto em riscos e benefícios.  É importante que o uso destes  medicamentos seja feito de forma cautelosa sempre pesando o bem estar da mãe e do bebê. 

 

 

Antibióticos são medicamentos que tem como função principal o combate de infecções causadas por bactérias. Sua descoberta aconteceu em 1928, quando o médico Alexander Fleming descobriu a penicilina, antibiótico muito usado até hoje em dia. Os antibióticos representaram uma revolução no meio médico-farmacêutico, pois levaram a uma queda drástica na taxa de mortalidade de doenças infecciosas e parasitárias.

Na obstetrícia, e mais especificamente, no parto, o uso de antibióticos está relacionado à uma melhora da saúde materna e do bebê. Porém, pode estar relacionado a efeitos adversos e seu uso precisa ser bem indicado e cauteloso, para que os benefícios superem os riscos.

Uso de antibióticos no parto

Os antibióticos destroem as bactérias que são perigosas para o bebê durante o parto. Dessa forma, quando indicada, sua administração  é feita mais frequentemente pelas veias e a medicação mais usada nesses casos é a penicilina. Isso porque a penicilina é muito segura e eficaz na prevenção da disseminação de infecções da mãe para o bebê, especialmente da infecção causada pela bactéria estreptocócica do Grupo B.

Existem outros antibióticos que podem ser usados como alternativa à penicilina, contudo sua escolha depende do quadro clínico da paciente, da disponibilidade do serviço e da presença de alergias.

antibiótico e parto
Antibióticos são medicações para combater infecções.

Quais são as indicações de uso de antibióticos durante o parto?

Vários fatores podem aumentar o risco de infecção em recém-nascidos a termo, levando à necessidade de antibióticos durante o trabalho de parto. Entre os motivos, podemos destacar a presença de bactérias na vagina, incluindo estreptococos do grupo B. Outra indicação é a bolsa amniótica rota por mais de 18 horas antes do nascimento do bebê ou febre materna durante o trabalho de parto.

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Algumas gestantes precisam usar antibióticos durante o parto.

– Trabalho de parto prematuro

Trabalho de parto e nascimento prematuros (antes de 37 semanas) podem ser devido a uma infecção desconhecida. Outro motivo para o seu acontecimento é a rotura prematura da bolsa amniótica. Em ambos os casos, o uso de antibióticos reduz o risco de infecção nesses bebês.

– Ruptura prolongada de bolsa amniótica

Os antibióticos podem ser necessários se a bolsa estourar muito antes do parto. Isso evita a infecção do útero ou da bolsa amniótica. Nesse caso, o período de tempo que a gestante precisará de antibióticos pode variar de hospital para hospital e também de país para país. Ainda assim, a maioria dos estudos científicos indica o seu uso a partir de 18 horas de bolsa amniótica rota.

– Febre materna

O uso de antibióticos caso a parturiente esteja com febre é indicado, mesmo que a causa da febre seja desconhecida. Essa indicação baseia-se no fato de que se a mulher tiver uma infecção, o uso de antibióticos reduz o risco da transmissão ao bebê.

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A febre intraparto é uma das indicações de uso de antibióticos na parturiente.

– Estreptococo do grupo B

O estreptococo do grupo B (bactéria GBS) é uma variedade de bactérias encontradas no intestino, vagina e uretra. É detectado em pessoas de todas as idades e sexos e geralmente não leva à sintomas específicos.

A bactéria GBS coloniza a vagina de cerca de 25% das mulheres. Cerca de metade dos bebês nascidos de mulheres com GBS também são colonizados. Nesses casos, para 98-99% dos bebês, isso não apresenta nenhum problema e as bactérias tornam-se parte de seu microbioma normal. No entanto, 1-2% dos bebês desenvolverão uma infecção por GBS, que está relacionada à um quadro clínico grave e mortalidade para cerca de 10% dos recém-nascidos.

Dentre os fatores de risco para infecção por estreptococo do grupo B, podemos citar indicações anteriores para o uso de antibióticos durante o parto. Além disso, também é fator de risco uma história de filho mais velho que teve infecção por GBS. Por fim, outro fator de risco é ter tido um teste para GBS positivo durante a gravidez.

Diante da possível gravidade que a infecção pelo estreptococo do grupo B pode ter, o uso de antibióticos intraparto também está indicado para essas pacientes.

Benefícios  do uso dos antibióticos no parto

  • Reduzem o risco de infecção por GBS no bebê recém-nascido desde o nascimento até 7 dias de idade.
  • Reduz o risco de infecção relacionada com GBS.

Riscos do uso dos antibióticos no parto

  • Anafilaxia (reação alérgica a antibiótico) na mãe
  • Reações menos graves, como náuseas ou erupções na pele.
  • Efeitos negativos no microbioma da mãe e do bebê.

Antibióticos no parto e o microbioma do bebê

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O microbioma é um conjunto de bactérias boas presentes no organismo dos seres humanos, sendo assim relacionado à uma série de funções de proteção importantes para os indivíduos.

Já é de conhecimento dos cientistas que a administração de antibióticos durante o trabalho de parto pode afetar a colonização bacteriana do recém-nascido, levando à uma redução no microbioma do bebê. Porém, para algumas pacientes as indicações do uso de antibióticos superam os riscos que eles podem trazer. Nesse caso, seu uso acaba sendo indicado.

Para esses casos, uma boa notícia! Pesquisas recentes sugerem que as bactérias lactobacilos (como as encontradas nos probióticos) podem resistir à penicilina em condições de estresse (como durante o trabalho de parto). Assim, pesquisas têm mostrado que pode ser uma boa ideia começar a tomar probióticos antes do parto. Dessa forma, as bactérias boas têm chance de se sentir em casa, ajudando a equilibrar a flora intestinal novamente.

Outra boa dica é minimizar a ingestão de açúcar refinado após o nascimento do bebê, pois os microrganismos responsáveis ​​pela candidíase (conhecida como sapinho) se alimentam dele.

 

Amamentação e formação do microbioma do bebê

A amamentação também possui papel importante nesse processo de colonização do microbioma do bebê. Isso porque o colostro e o leite materno estão cheios de bactérias boas que colonizam o intestino do bebê. Por isso, para as mulheres que necessitaram fazer o uso de antibióticos durante o parto, a amamentação pode auxiliar ainda mais na colonização do microbioma do recém-nascido.

Veja na figura abaixo a diferença do microbioma de bebês que nasceram de cesariana e não foram amamentaram, que nasceram de parto normal e não amamentaram e que nasceram de parto normal e amamentaram.

A flora bacteriana de um bebê que nasce de parto normal (e não usa antibióticos durante o parto) e que amamenta é completamente diferente. Por isto a OMS – Organização Mundial de Saúde recomenda que todo bebê seja amamentado EXCLUSIVAMENTE no peito até os seis meses de vida.

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Fonte: Bäckhed et al. assessed the gutmicrobiomes of 98 Swedish mothers andtheir infants during the first year of life.Cessation of breast-feeding wasidentified as a major factor in determininggut microbiota maturation, with distinctshifts in signature species beinghallmarks of its functional maturation. Credit: Bäckhed et al./Cell Host & Microbe 2015

Leia também:

 

Parto e microbioma: qual a relação?

 

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