Chupeta: um perigo para o desenvolvimento?

Chupeta

Quando pensamos em bebês, frequentemente vêm  à mente a imagem de uma chupeta. Incluída nos enxovais, adquirida antes mesmo do nascimento da criança, a chupeta complementa a figura da primeira infância. A representação de objetos que estimulem a sucção pelo bebê como maneira de acalmá-lo é datada desde 1506, quando Albrecht Dürer representou uma chupeta em sua tela “Madonna with a Siskin”.

Embora seu uso seja desaconselhado pela maioria dos profissionais, as famílias frequentemente a oferecem aos seus filhos. Porém, instituições de saúde têm tomado maiores medidas para desmotivar o uso sistemático da chupeta. Hoje, sua oferta é proibida na maioria das maternidades, uma vez que, apesar de sua praticidade em acalmar os pequenos, pode oferecer a longo prazo alguns perigos à saúde.

Chupetas podem trazer prejuízos ao desenvolvimento.
Chupetas podem trazer prejuízos ao desenvolvimento.

Por quê muitos bebês amam a chupeta?

Os bebês nascem já com alguns reflexos adaptativos como o de sugar, de engolir e de busca pelo peito da mãe como forma de garantir sua sobrevivência. Logo ao nascer, a amamentação, ainda nas primeiras horas de vida, oferece ao recém-nascido satisfação ao saciar sua fome e lhes proporciona o prazer da sucção; nessa idade, ainda um reflexo. Contudo, nos primeiros meses de vida, o reflexo começa a se tornar um hábito. Mesmo sem fome, o bebê leva objetos à boca para sugar por satisfação emocional. Nesse contexto entra a chupeta, também conhecida como “pacifier” pela seu conceito de acalmar os bebês, trazendo-lhes conforto e os deixando mais relaxados.

O reflexo de sucção da chupeta ajuda a acalmar os bebês.
O reflexo de sucção da chupeta ajuda a acalmar os bebês.

Então quais os perigos do uso da chupeta?

A chupeta pode representar perigos no desenvolvimento da musculatura da boca e face, dos dentes e principalmente na amamentação. Desse modo, seu uso pode conduzir a um desmame precoce ou a dificuldades iniciais de pega e produção láctea.

Bebês utilizam a chupeta para substituir a sucção não nutritiva do seio materno (sucção feita no seio materno apenas por prazer, sem levar a deglutição de leite). A musculatura utilizada para sugar a chupeta não é a mesma da utilizada na hora da mamada. Dessa forma, há alterações no desenvolvimento da musculatura orofacial e no posicionamento da língua. Isso pode levar a confusão de pega do seio materno,  a um menor estímulo da mama e consequente diminuição da produção de leite pela mãe. Todo esse processo pode favorecer o desmame precoce. Além disso, à medida que a chupeta toma espaço na boca, limita as oportunidades do bebê de tentar produzir sons, podendo atrasar sua vocalização.

Do mesmo modo, todas essas alterações de musculatura orofacial podem vir a afetar também o surgimento dos dentes. Podem também levar a má oclusão dentária, causando uma mordida aberta ou assimétrica, cruzada. Além disso, o uso da chupeta em maiores de 18 meses pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de cárie dentária. Ainda, seu uso está associado a problemas respiratórios, levando a criança a ser um respirador oral. A abertura da via aérea nasal pode ficar diminuída, levando a alterações posturais a longo prazo, irreversíveis.

E como fica a segurança do bebê?

Várias pesquisas têm descrito os perigos de asfixia por partes que se desprendem da chupeta. Fitas ou outros acessórios são importantes exemplos. Há também o perigo de ferir a boca ou base do nariz quando as crianças caem enquanto usam a chupeta. Esses acidentes são relevantes. Por isso, é recomendado que caso forem utilizadas, as chupetas sejam compatíveis com o tamanho da boca da criança e tenham o mínimo de adereços possíveis.

Assim como qualquer outro objeto levado à boca pelas crianças, a chupeta também pode representar um veículo de transmissão de infecções. São exemplos comuns a candidíase oral e cáries dentárias, além de infecções de vias aéreas superiores, levando a otites. Por esse motivo, é importante garantir, quando possível, que a chupeta esteja limpa e seja guardada em um recipiente com tampa para evitar contaminação. A chupeta não deve entrar em contato com o solo, principalmente as de bebês menores.

O uso da chupeta deve ser feito de maneira cuidadosa.
O uso da chupeta deve ser feito de maneira cuidadosa.

Então não devo usar a chupeta nunca?

O ideal é que a sucção não nutritiva proporcionada pela chupeta seja feita através do aleitamento materno em livre demanda. Agora, se a família opta em utilizá-la, que seja feita apenas para dar estabilidade emocional à criança, usada de forma racional. Os perigos associados à chupeta são relevantes! Se for usada, a introdução deve acontecer pelo menos após 2 semanas de vida, época em que o aleitamento já está estabelecido. Lembrando que sempre será um fator de risco para desmame precoce. Deve-se também, monitorar duração, frequência e intensidade do seu uso.

Deve, se utilizada, servir de instrumento de ajuda, sendo seu uso pontual e objetivo para a tranquilidade e conforto da criança. Lembrando que sempre haverão outras alternativas menos nocivas para acalento dos pequenos,  a chupeta é apenas um instrumento. A decisão de introduzir ou não a chupeta é da família. Antes de fazer uma decisão, consulte um médico pediatra para avaliação de benefícios e riscos para cada criança.

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